Comportamento organizacional

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Jaime Vergani, da Randon: programas de educação e prevenção de saúde aumentaram a produtividade do time e reduziram o absenteísmo
Na corda bamba

A busca por resultados em tempo cada vez mais curto, o estabelecimento de metas mais agressivas, o avanço da tecnologia e o mundo sem fronteiras têm tornado o homem cada vez mais refém de seu trabalho. Não existem mais limites entre a casa oescritório. Você responde e-mails sem parar. Leva o Blackberry para o café da manhã com a família. Resolve por celular várias pendências no caminho até a empresa e nem no fim de semana consegue se desligar do mundo corporativo.

Se, antes, o profissional brasileiro trabalhava cerca de 48 horas por semana, hoje ele gasta 54 horas ligado no trabalho. Os americanos chegam a dedicar 56 horas semanaispara o escritório, o que só piora quando o cargo cresce. Segundo dados da International Stress Management Association (Isma), os profissionais em posições mais altas chegam a gastar 65 horas por semana do seu tempo no trabalho. Essa rotina vem contaminando não só a vida do profissional, mas a das companhias. O custo do estresse no Brasil é estimado em 3,5% do PIB nacional (cerca de 42 bilhões dedólares). Nos Estados Unidos, já ultrapassa 300 bilhões de dólares anuais e na União Européia, 325 bilhões de euros. Segundo a Isma, que realizou uma pesquisa para avaliar o nível de estresse dos brasileiros, 70% das pessoas economicamente ativas possuem algum tipo de seqüela, como doenças crônicas, depressão, obesidade e lesões por esforços repetitivos. “Apesar dos esforços das companhias, osdanos ainda são grandes e o nível de estresse não tem baixado”, diz Ana Maria Rossi, presidente da Isma no Brasil.

Ao que tudo indica, esse esforço corporativo para encontrar uma solução literalmente equilibrada deve aumentar nos próximos anos. Uma pesquisa realizada pelo The Boston Consulting Group (BCG) com mais de 4 700 executivos de recursos humanos em 83 países revelou que equilibrar vidapessoal e profissional está entre os três principais desafios da agenda do RH, ao lado da gestão e desenvolvimento de talentos. No Brasil, o assunto assumiu o topo no ranking de prioridades. “A preocupação com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional já está incorporada à nova geração e não tem volta”, afirma Christian Orglmeister, diretor do BCG no Brasil. “É preciso olhar para esse tema comouma vantagem competitiva.”

Isso significa que trabalhar o tópico qualidade de vida não é uma questão apenas de preocupação com o clima e o bem-estar, e muito menos uma questão de escolha. É, sim, uma questão de sobrevivência. Empresas que, não atentarem para essa realidade vão continuar a somar seus elevados custos com a saúde dos funcionários e a perder talentos. “Quem ainda não está pensandonesse assunto irá perder competitividade rapidamente”, avisa Alberto Ogata, presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida. “Os cartões de ponto deixaram de ser fundamentais, principalmente porque os resultados agora são mais importantes do que a presença física.”

A perda de profissionais – especialmente da nova geração – é outra conseqüência drástica para as companhias que sedistanciarem desse assunto. A chamada Geração Y (pessoas nascidas a partir de 1978) começou a exigir das companhias uma nova postura sobre qualidade de vida. “Se a geração anterior valorizava o compromisso com a companhia e os benefícios, a atual tem outras prioridades, como responsabilidade social e qualidade de vida”, diz Orglmeister. Diferentemente dos profissionais mais velhos, que olhavam aqualidade de vida como algo para desfrutar após o trabalho ou, ainda, após a aposentadoria, os “Y” buscam trabalhar com qualidade de vida. Isso significa ter, especialmente, flexibilidade para fazer tudo que é importante, sem abrir mão dos prazeres do cotidiano. 

Apesar de o assunto finalmente chegar à pauta das discussões estratégicas das companhias, ainda são poucas as organizações que possuem...
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