Insucesso escolar

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A acção da escola na promoção das aprendizagens de todos os alunos

Ana Maria Bettencourt Jorge Pinto O mandato da escola pública tem evoluído ao longo das últimas décadas sendo associado de modo crescente ao imperativo de proporcionar melhores aprendizagens a todos os alunos. Contudo, parece haver ainda uma diferença substantiva entre os objectivos deste seu novo mandato e a sua consecução. Aluta contra o insucesso e abandono escolar não pode deixar de ser uma prioridade na agenda educativa.

Dificuldades escolares e insucesso A escola, enquanto instituição sempre se preocupou com os alunos que não conseguiam percorrer os seus estudos de forma regular. Este fenómeno passou a partir de uma certa altura a chamar-se de insucesso. Contudo este insucesso é resultante de um conjunto dedificuldades de natureza muito diversa, que impedem esse percurso de aprendizagem no tempo dos “outros pares”. Tentar perceber este fenómeno, as razões que o explicam, é ainda hoje uma tarefa em aberto. A expressão de insucesso conhece um novo fôlego a partir dos anos 60. Como refere Meirieu (sd) “toda a gente quer lutar contra o insucesso escolar mas não necessariamente da mesma maneira”. Ora estasdiferentes formas de agir para minimizar o insucesso estão muito interligadas com os modos como se encara este fenómeno. Toda a perspectiva de intervenção exige um quadro conceptual que permita perceber esse mesmo fenómeno. Considerámos três grandes famílias de teorias explicativas para o insucesso escolar, que de uma forma muito simples se pode associar com a psicologia, a sociologia e apedagogia, entendendo esta última como uma teoria do agir educativo localizado. Assim, uma primeira explicação para os diferentes comportamentos dos alunos relativamente ao insucesso prende-se com uma perspectiva que tende a colocar nas características do aluno a origem do problema. As causas das dificuldades seriam a manifestação de características singulares do aluno, cognitivas ou de personalidade,congénitas ou adquiridas que impediam um percurso “normal” de aprendizagem. Estas dificuldades do aluno, levariam ao atraso relativamente ao seu grupo etário, que culminava com frequência no abandono precoce da escola aceitando-se este facto como um desfecho natural pois se considerava que o aluno não “dava para mais”. Noutros casos procedia-se á transferência para outro tipo de escolas ou turmasditas de “ensino especial”. Naturalmente que estas explicações foram sustentadas pelos conhecimentos da psicologia, entendida na sua perspectiva mais clássica foram evoluindo. As dificuldades deixaram de ser gradualmente vistas como uma questão de preguiça, ou de fatalidade, para se assumirem como um deficit de algo que impedia uma aprendizagem normal relativamente ao seu grupo etário. Seria estedeficit (imaturidade, problemas cognitivos, afectivos ou outros) visto como uma “doença” que explicava que a escola, sendo para todos, acabe de ser apenas para alguns. Nesta perspectiva nada pode ser imputado à escola, pois o problema não reside nela. Nesta perspectiva, de pouco serve pensar a escola, a sua organização e as suas práticas. Considera-se que embora os professores façam o que podem paratentar ajudar os seus alunos há sempre aqueles para quem a ajuda de nada vale porque se consideram impossíveis de

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ajudar. Esta perspectiva é ainda bastante forte nos discursos produzidos no quadro das reuniões de avaliação realizadas no final dos períodos lectivos (Pinto, 2002; Leite, 2004). Apesar destas explicações e das intervenções associadas, que ficam em situação de insucesso ouque abandonam a escola não diminui de forma notória. Com a massificação do acesso à Escola outras explicações de natureza sociológica começam a emergir, nomeadamente as que explicam o insucesso e os seus mecanismos como um processo de reprodução social (Bordieu e Passeron, 1970). Várias são ainda as explicações sobre a causa das dificuldades dos alunos. A perspectiva, que porventura, mais vingou...
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