Vigiar e punir

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  • Publicado : 4 de outubro de 2012
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Vigiar e Punir

INTRODUÇÃO
Ao historiar Vigiar e Punir, Michel Foucault avalia o poder disciplinador como uma das fundamentais tecnologias do poder das contemporâneas sociedades que seria o poder das normas.
A preocupação principal do livro é demonstrar, através da forma pela qual homens eram julgados em função dos atos que haviam cometido, como se sucederam diversas formas de subjetividade ediversas formas de saber ao longo da história do ocidente, o que explica que as relações do homem com a verdade, dentro de um processo judicial, são muito mais complicadas do que as reconstituições históricas simples de nossos manuais podem julgar. A fórmula, então, pode ser assim resumida: diversas formas de processo, diversas formas de subjetividade, diversos critérios de aferição da verdade.I - O Corpo dos Condenados
A mortificação assumiu novas formas de execução, nos períodos em que o suplício era permitido, especialmente no Império Romano e na Idade Média, essa execução se fazia às claras, de modo ostensivo. Mais, precisava ser pública, na frente de platéias sequiosas, para que a punição do crime fosse exemplar, para escarmento dos demais. O processo e o julgamento, nostribunais da Inquisição, eram secretos, mas a execução tinha que ser pública, Michel Foucault em sua obra relata um feito por um dos participantes do ato, sobre a execução à morte de "Damiens", condenado em 1757, na França, por haver atentado em Versalhes contra a vida do Rei Luiz XV.
Depois de ter o corpo dilacerado por tenaz, utilizadas por um dos carrascos,
Tortura, que era aplicada às claras, à luzda lei e determinava merchandising (a pena capital e os castigos físicos que a precediam eram praticados em público, com a assistência da multidão), passou a ser executada na ilegitimidade e à margem da lei.
Sendo desta maneira os primórdios da humanidade que o fator "punição" existe. É a forma mais ingênua e direta de ordenar e tornar harmoniosa a convivência interespecífica. Barbáries foramcometidas ao longo dos tempos em nome da paz social. Foucault aborda a questão do alargamento histórico da criação prisão, desde o seu nascimento até a sua atual aplicação. Não se tem conhecimento ao certo a procedência da prisão, acredita-se que a falta de liberdade acumulada de uma quantidade de aflição acompanha a espécie humana desde a sua organização fundamental enquanto grupo social. Porém éno transcorrer do tempo medieval que inúmeras barbaridades são cometidas, talvez seja este o período com o maior número de fato de punições severas, que para os padrões atuais são consideradas "selvagens". Corpos mutilados, torturas inimagináveis, dor e sofrimento, todos os elementos jurídicos de um processo de apuração do ato, julgamento e condenação. Parece ousado referendar tais métodos como"julgamento", porém é a realidade, todos os processos eram legais e aceitos pelos mais altos autoridades da época, o "julgamento" acontecia em paredes privadas, sem a noção do público e na maioria das vezes sem a própria aceitação do réu. Não era autenticada nenhuma forma de defesa, a não ser a própria confissão que na maioria das vezes preservava o condenado da tortura, levando-o diretamente à forcaou à decapitação. O suplício é uma pena corporal, produz certo sofrimento equivalente ao crime produzido, faz parte de um código jurídico da dor. Não deve nunca ser esquecido pelos homens, que o guardarão eternamente através das marcas em seus corpos. O suplício ainda era magnificente, era mostrado como um triunfo do Estado sobre o condenado.
Apenas a partir do século XVIII que se dá início atodo um movimento de mudança dos métodos de suplício medievais, a denominada "Economia do castigo", um arranjo de sofrimentos mais perspicaz, porém muito mais eficientes. É iniciada uma verdadeira prospecção sobre como fazer sofrer "humanamente", é criada a tecnologia do sofrimento. Porém um fato marcante deve ser considerado, punições e principalmente execuções públicas praticamente desapareceram...
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