Vigiar e punir

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  • Publicado : 23 de maio de 2012
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As instituições, assim, organizam-se de forma a reproduzir a submissão e produzir oscorpos dóceis que culmina na subordinação social, na dominação, na alienação eaceitação.Estes dispositivos são necessários tanto no ato de vigiar, punir, como decontrolar no sentido de utilidade. No exercício da disciplina, cria-se uma espéciede arquitetura e hierarquização dos indivíduos, de saberes, capacidadese corpos.Este poder que se exerce sobre o corpo é ininterrupto (contínuo) chegando mesmo ainstalar-se como coerção interna e suas tecnologias alcançam este feito através do queFoucault chamou
disciplina
sendo o principal objetivo do poder disciplinar é tornar osindivíduos
economicamente úteis e politicamente dóceis.
Desde então tem-se apenas variado as técnicas de submissão e controle. O queédescrito e detalhado nas prisões, hospícios, quartéis, escolas toma forma social maisampla de uma sofisticada e sutil tecnologia de submissão.Foucault mostra como a idéia de obediência, evolui até as tecnologiasimaginárias das sociedades modernas. Na domesticidade escrava a obediência seinscrevia (inscreve-se) no controle sobre a operação do corpo (suas ações em função dosresultados produtivos). Navassalidade, a obtenção do controle se faz pela produção, é oresultado do trabalho dos corpos onde se instala o controle. A obediência monástica(religiosa) realiza-se através das renuncias. Mas é na modernidade que se constrói umamaquinaria de poder através do controle dos corpos, isto é, o corpo para fazer não o quese quer mas para operar como se quer. É a tecnologia da disciplina fabricando oscorpossubmissos. Esta anatomia política desenha-se aos poucos até alcançar um método geralque esta
“em funcionamento nos colégios, muito cedo; mais tarde nas escolas primárias; investiram lentamente o espaço hospitalar; e em algumas dezenas de anos,reestruturaram a organização militar”.
Apesar dessa visão devastadora de controle, o próprio filósofo é o primeiro aafirmar que esse controle não éeterno ou absoluto, sendo
transitório e circular
o que permite sua quebra, quando se substitui a
docilidade pela meta continua e infind
á
vel daliberta
çã
o dos corpos.
5. Prisão
A Quarta Parte do livro - “Vigiar e Punir” – Prisão, é composto por trêscapítulos: Cap. I - Instituições completas e austeras, Cap. II - Ilegalidade e delinqüência,e Cap. III - O carcerário, e por fim as Notas,que é a parte dedicada as notas sobre oscapítulos.

Segundo Foucault a prisão é vista como o desenlace do processo que torna osindivíduos úteis e dóceis. Por prisão subtende-se “pena das sociedades civilizadas”, efoi no final do século XVIII e início do século XIX que a pena de detenção foiformalizada. A prisão tem caráter igualitário pois a perda da liberdade, assegurada aosindivíduos,penaliza a todos da mesma forma. Para Foucault é possível quantificar a pena, há pagamento de salário ao detento e é vista como uma reparação. Ao tirar otempo do condenado o Estado dá satisfação à toda sociedade que foi lesada pelo crime.Ao “pagar a dívida” o condenado acaba por tornar a prisão algo “natural”.A prisão deve tirar do indivíduo todas as suas prerrogativas: treinamento,aptidão,comportamento, atitude moral e disposições, transformando-as em uma tarefaininterrupta de disciplina. Impõe-se a ele o isolamento, pois a solidão é a condição primeira para a submissão. O trabalho penal deve ter ordem e regularidade, e sujeitar oscorpos a movimentos regulares, longe da distração e da agitação. È necessária àvigilância constante por se tratar de produzir indivíduos mecanizados a exemplodasociedade industrial. Para Foucault é a requalificação do criminoso em operário, emindivíduo-máquina.O encarceramento mais do que substituir o suplício é um dispositivo que nãodiminui a delinqüência, pelo contrário provoca reincidência. A prisão não devolve àsociedade indivíduos corrigidos, mas mais perigosos do que eram. O sistema carcerárioconsegue tornar natural e legítimo o exercício da punição,...
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