Trabalho, lar e botequim.

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A realidade do trabalhador carioca no início do século XX.
CHALHOUB, Sidney. Trabalho, Lar e Botequim: o cotidiano dos trabalhadores no Rio de Janeiro.
2º edição. Campinas, SP ed. Unicamp 2001.Cedovim, Ricardo Luiz.¹



¹Aluno do 3º semestre de Historia das Faculdades Integradas Maria Imaculada.

Resumo da obra.

Chalhoub através de sua obra, busca em processos jurídicos criminais datados do fim do século XIX e inicio do século XX, retratar a micro historia, o cotidiano social e particular dos trabalhadores cariocas durante a fasede grandes transformações estruturais, políticas e econômicas que o Brasil passava naquele instante, particularmente a capital federal.
Retratando primeiramente a historia de Zé Galego (Antônio Domingos Guimarães), imigrante português, estivador e pai de família, engajado no labor portuário de carregamento de café aos vapores cujo envolve-se em um conflito com um companheiro seu de trabalho,Antônio Pascoal, cujo supostamente haveria assassinado Galego devido à uma rixa antiga, esta havia encontrado seu estopim em uma mulher que teria sido amante de ambos, chamava-se ela Júlia, e o crime ocorreu em 1907.
Acerca das contradições dos relatórios policiais e noticiários da época, e da indefinição do ocorrido, o autor elucida que seu intuito não é de ser um agente formador de opiniões exatas emrelação aos crimes em pauta, e sim, nos mostrar a importância de trabalhar com este tipo de documentação como fonte documental histórica, os cuidados quanto as interpretações e utilizações destes, e o quão importante são os contextos analisados, peculiaridades cotidianas, situação do proletário, via de dominação de uma classe social mais poderosa em relação aos populares, dentre diversos outrosfatores mais importantes do que a verossimilidade ou não da decisão do poder público em dizer quem está certo ou errado.
É tratado por Chalhoub, a questão da efervescência social, política e econômica que a cidade do Rio de Janeiro viva naquele princípio de século XX, assim como as mudanças promovidas pelo prefeito Pereira Passos que tanto modificou a vida dos trabalhadores cariocas, estes últimos(sobre) viviam à margem da maquilagem progressista do republicanismo, marginalizados socioeconomicamente pelos ideários euro centristas adotados pela elite da capital federal, que quase sempre utilizava a imprensa e a polícia como seus agentes controladores da massa, em sua empreitada “civilizatória” de modificações sócias.
Os políticos da época tinham como preceito ideológico o controle damassa popular para a manutenção da ordem social, em seus projetos de leis ou discursos inflamados, salientavam a classe de trabalhadores livres como imprescindível para a manutenção dos mecanismos do progresso e da ordem.
É importante ressaltar o inchaço demográfico que o Rio de Janeiro vivia naquele instante, tal qual incentivo governamental à imigração, que dentre inúmeros estrangeiros em suamaioria eram provindos de Portugal em busca de uma ascensão em nosso país. Estes estrangeiros auxiliavam na heterogeneidade da massa popular brasileira, que mais à frente seria fator decisivo para o despareamento ideológico e reivindicatório do proletário, além de os portugueses costumeiramente ficarem com os melhores cargos de trabalhos em relação aos brasileiros.
A classe burguesa dominante,associava a ordem e o progresso ao trabalho desenvolvido sistemicamente pela grande massa popular, e que através deste labor o sujeito se enquadraria nos moldes “civilizados” ao qual a burguesia tanto se moldava, na contramão destes preceitos estavam o desempregado ou o ocioso, que era muito mal visto pela sociedade, sendo inclusive rotulados como “classe perigosa” (termo copiado deformadamente do...
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