Trabalho, lar e botequim

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CHALHOUB, Sidney. Trabalho, lar e botequim: o cotidiano dos trabalhadores no Rio de
Janeiro da belle époque. Campinas, SP: Editora da Unicamp,2008, 2ª reimpressão da 2ª
ed., 2001.
Ana Cristina Guanaes Rego
1
“Não nos esqueçam de que a condição de
assalariado, que hoje ocupa a grande maioria dos
ativos e a que esta vinculada a maior parte das
proteções contra os riscos sociais,foi, durante
muito tempo, uma das situações mais incertas e,
também, uma das mais indignas e miseráveis.
Alguém era um assalariado quando não era nada e
nada tinha para trocar, exceto a força de seus
braços"
2
A década de 1980 foi um período importante da história do Brasil recente. Na
economia ficou conhecida como a década perdida, mas na esfera social e política astransformações foram consideráveis. O país entrou nos anos 80 ainda governado por uma
ditadura militar, mas logo no início da década os conflitos sociais e as greves do ABC
Paulista (1978/79/80) movimentaram a sociedade e as lideranças político- intelectuais que
lançam o movimento pelas “diretas já” – 1983/84- trazendo para o debate nacional a eleição
direta para presidente. Em 1985 éeleito, mesmo que de forma indireta e de não ter assumido

1
aluna do 6° de História naPUC-Rio (2008.2), bolsista do PET-História desde 2007.
2
Robert Castel. As metamorfoses as questão social – uma crônica do salário. Tradução de Iraci D. Poleti –
Petrópolis, RJ: Vozes, 1998, 3 ed. pp. 212
o cargo, pois faleceu, o civil Tancredo Neves,marcando assim o fim da Ditadura Militar no
Brasil.
É neste contexto que Sidney Chalhub defende em 1984 sua dissertação de mestrado e
depois, em 1986, editado como livro, “Trabalho, lar e botequim”. Nesta obra o autor pretende
compreender o cotidiano dos trabalhadores que viviam na cidade – capital do Brasil- Rio de
Janeiro no período da “Velha república” ou Primeira República
3
.
Osmateriais utilizados como fonte foram os manuscritos de processos criminais de
homicídios (1898-1911), impressos oficiais, como os anais da Câmara dos Deputados de
1888, Código penal dos Estados Unidos do Brasil de 1890 e ainda jornais da época: o
“Correio da Manhã” e “Jornal do Comercio”, além de uma vasta bibliografia. A intenção de
utilizar os processos criminais e a imprensacomo fonte foi a de esclarecer como a sociedade
da época se pensava, se estruturava e quais eram seus interesses. Nos processos temos a
visão oficial da sociedade, através das sentenças podemos entender o que a sociedade
entendia como certo, como código de conduta desejado e ainda mesmo que contraditório,
tínhamos os depoimentos das testemunhas e dos evolvidos diretamente nocrime. E pela
imprensa podíamos perceber traços da sociedade através das versões veiculadas pelos jornais,
que segundo autor nem sempre eram verdadeiras, pois os diretores dos jornais muitas vezes
exigiam que os redatores inventassem qualquer coisa; depoimentos, indícios, etc. sobre este
tipo de notícias.
4
O autor busca as relações cotidianas dos trabalhadores fora do espaço domovimento
operário e da fala política articulada. Na época da execução da pesquisa, apesar da utilização
de processos criminais como fonte não ser uma novidade, pois nos idos de 60, Maria Sylvia
as utilizou na sua Dissertação de Doutorado, em “Homens livres na ordem escravocrata”,
ainda havia resistência dos intelectuais sobre a eficácia deste tipo de fonte para estudo de
temasdiferenciados da criminalidade. Os pesquisadores atuais, século XXI, recorrem com
muito mais freqüência aos processos criminais como forma de entender o passado e dar voz a
uma população que esta silenciada.
5
Na introdução o autor nos mostrar através da história de vida e morte do Zé Galego
que o caminho por ele escolhido para sua investigação não o levara por caminhos seguros....
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