Psicologia

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  • Publicado : 4 de julho de 2012
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Autor: Thiago Rodrigues da Rocha

Os Sete Foras Capitais

O relógio mostrava 7:30 do dia 11 de outubro de 2010, e Claudinei era arrancado do mundo dos sonhos pelo habitual chamado de sua mãe: “Levanta, Claudinei! Vem tomá café.” Aquele comum protesto que reivindica o direito de permanência na cama dura apenas alguns instantes, ele se levanta tirando as remelas dos olhos, essas remelas eramas vezes tão duras que chegava a espetar o cantinho de seus olhos negros. Ele vai para a cozinha percebendo que não existe em sua lembrança nenhum vestígio do que sonhou durante a noite. Sentou-se numa cadeira na cozinha e apoiou a cabeça na mão com o cotovelo na mesa. Com os pensamentos confusos, só conseguia prestar atenção na própria respiração, por uma ou duas vezes tentou encher totalmente opeito de ar, mas suas tentativas foram frustradas. É como se de manhã o pulmão fosse menor. E com esses pensamentos ali estava Claudinei, olhando para os biscoitos de polvilho numa vasilha de plástico sobre a mesa. – Come bastante, hoje o almoço vai sair tarde. Disse dona Zilda, mãe de Claudinei, este pegou a garrafa de café e despejou o líquido num copo, isso lhe evocou uma vaga lembrança dasvezes que ensopava o biscoito de polvilho no café, quando era criança. – Hoje é pru cê i disbrotá café, o véi Duda já foi. Claudinei morava num sitio na linha 164, lado sul, no quilometro 7,5 e ali trabalhava com o Sr. Duda, um homem já de idade, que era tio de seu falecido pai. Sr. Duda sempre morou num paiol nos fundos da casa de dona Zilda. Esse decrépito homem costumava contar histórias do tempoem que era jovem, mas todos diziam que eram mentiras. A pesar de muitos duvidarem do que ele conta, Claudinei acreditava piamente em tudo o que o tio de seu pai falava. Agora já são 8:00 da manhã, Claudinei chega à lavoura para desbrotar os pés de café e logo avista Sr. Duda. – Oooohpá! – Ahóii! – Dia.

– Dia. Claudinei começou a desbrotar no começo de uma fileira de pés de café enquanto o Sr.Duda já estava bem adiante em outra. A tarefa de desbrotar café é simples: arrancam-se os brotos indesejáveis que crescem no tronco desta planta. E assim a manhã começou, Claudinei e Sr. Duda trabalhando no cafezal. – Hô Claudinei. – Quê? – Onti eu fiz um negóço cum seu Zé da Vela. – Hã... – Troquei dois saco di mii por um nuvía nelore. – Uái? Seu Zé da Vela tá doido? Ah hôme besta! – Poizé rapais,o hôme num sabe fazê negóço, não. – É doido! Cê saiu ganhano nessa! Cê também é ispertu, né? Foi querê fazê négoço logo cum seu Zé da Vela, que tem a mente fraca. – Não rapais! Negóço é negóço! Num tem nada avê não! – Cê é nó-cego, Duda véi! Trocô dois saco de mii por uma nuvía! Ahahaha! – Qui nó-cego nada! Eu só sô uma pessoa qui sabi fazê negoço! E assim a manhã foi passando, enquanto os brotoseram arrancados os dois iam jogando conversa fora. – Claudinei, cumé qui ta as minina na escola? – Tão lá. – Tá garrano alguma? – Vixi... Fais tempo que num arrumo ninguém... – Uai? Por quê?

– Elas num dão moral... – Aaah! Cê é qui num chega nelas! – Não! Eu chego, elas é qui num qué nada cumigo. – Uai? Por quê? Cê num é tão fei... – U negóço é queu sô um rodado. – Rodado? Quê qué isso? –Ué... Rodado é quem num tem dinhêro, moto... essas coisa. As muié num gosta de cara rodado. – Viiiixi! Haha! Eita Claudinei, cê é rodado mêmo! Ma num isquenta a cabeça não! Quando eu era moço da sua idade eu num tinha nada e ainda arrumava muié... – Ah! Mas hoje é diferente! Si cê num tivé dinhêro, cê fica rodado, sem muié. – Pior qué mesmo! Deixa eu contá um caso qui aconteceu cumigo. – Du quê? – Diquando eu tinha sua idade e fui arrumá muié. – Tá. – Foi assim, eu tinha uns 17 pra 18. Eu tava doidim pela fia de um véi que era patrão do meu pai, na fazenda. O fezendêro era um hôme brabo quinem o cão, nossa família morava lá já tinha uns dez anu. O vei nunca qui ia querê um pé-rapado quinem eu, um fi de campêro, namorando a fia dele, i ainda era a fia mais nova. – I u qui é qui tem? – Uai?...
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