Medidas socioeducativas

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  • Publicado : 11 de dezembro de 2012
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No livro “Psicologia Jurídica no Brasil”, de Brandão e Gonçalves, o capítulo “Em instituições para adolescentes em conflito com a lei” trata da Psicologia Jurídica, ou seja, o que se tratou foi Psicologia Jurídica, ou seja, a psicologia no âmbito da justiça, trabalhando com a prática de atenção e custódia para os jovens. Procurou-se entender qual é o papel significativo das instituições naconstrução dos possíveis vínculos afetivos, da qual faz parte, sob o discurso tanto dos funcionários, como dos menores infratores. O objetivo, portanto, é estudar a instituição social, as relações concretas da instituição e analisar o seu discurso e não fazer afirmações sobre característica individual de cada jovem, das pessoas. Para isso utilizou métodos que articulassem o campo da sociologia, umaanálise das instituições concretas, e da psicanálise, denominando os discursos produzidos de subjetividade-efeito das relações constitutivas das práticas institucionais da FEBEM.
O objetivo da instituição FEBEM é o atendimento e conservação das crianças e jovens em situação de abandono e na infração. Costuma-se dizer que “na prática, a teoria é outra”, porém essa não se aplica ao caso. Isso por que naprática é exatamente o que se faz, porém resulta da articulação de diversos grupos e segmentos da instituição.
Exemplo disso é o resultado da análise, na qual a maioria dos funcionários se mostrou forte e capaz de dominar um menor, mas dizem se sentir acuados conduzindo um menor que cometeu grave delito num carro de polícia sem proteção e segurança. Da mesma forma que se sentem os internos pormedo dos riscos de ataques dos outros presos e dos funcionários, mas que também sentem o domínio para conseguir relatórios de liberação por parte dos técnicos e monitores.
Portanto, a relação que existe na casa de reeducação e contenção é a de transgressão, violência e infração. Na FEBEM, se eles não utilizam a violência para obter a organização da instituição, facilita o crescimento da violêncianesse ambiente. É a violência para banir a violência.
Os vínculos imaginados pelos meninos da FEBEM, analisados pelos discursos deles, reservam outras surpresas. Em suas falas, esses meninos apresentam características consideradas cênicas, porque possuem a habilidade de envolver o interlocutor, de fazer com que ele fique dominado com o discurso que apresentam.
As entrevistas dapesquisa foram realizadas por uma jovem mulher. O fato de que ela estava a frente de um interno da FEBEM parecia mais com uma cena, do que com uma entrevista. Ao serem entrevistados, os meninos mostravam certa habilidade para convencer o entrevistador, pelo gingado corporal, pelos meios sorrisos ou até mesmo pelo tom das falas. É fato que esses meninos possuíam muita vivência, e sabiam bem comodiscursar e contar suas histórias. Isso fazia com que o domínio da entrevista ficasse com eles. Parecia mais um jogo do mais forte estar sobre o mais fraco e o mais forte, neste caso, eram os internos, pois, diziam conhecer muito bem o “mundão” lá fora e o “mundinho” dentro da FEBEM como a palma de suas mãos.
Os internos contavam a história de suas vidas, começando por dizer como chegaram àmarginalidade. Cabe dizer, que, todos, sem exceção diziam que sua vida começou quando caíram na marginalidade. Contavam histórias a respeito dos policiais e de seus parceiros de crimes e falavam na família. Quando começavam a falar sobre seus vínculos, um clima de ternura surgia em meio à história dos crimes, mas logo era interrompido quando alguma coisa na história acabava trágica. O pai, que encostadoao lado da mãe morria de repente, ou, chegar ao caso de ter que armar uma emboscada para o seu parceiro de crimes porque este queria abusá-lo sexualmente. E essas eram suas histórias, seus vínculos, sempre marcados por algum tipo de violência.
Um ponto interessante destacado nas entrevistas é que, percebia-se que o pai era um vinculo forte para esses meninos, ou porque do pai se esperava mais...
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