Case hypermarcas

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  • Publicado : 15 de dezembro de 2011
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A um mês do fim de 2011, a ação da Hypermarcas está cotada hoje na bolsa um pouco menos do que valia quando a empresa abriu o capital, em 2008. De lá para cá, fez 23 aquisições, viu sua receita mais que dobrar e, por conta das ofertas de ações, aumentou em quatro vezes a quantidade de papéis que formam seu capital.
O Valor examinou 23 relatórios divulgados por equipes de análise de 13 bancos deinvestimento sobre a empresa neste ano. Inicialmente, a expectativa deles era que a ação da Hypermarcas valesse em dezembro, em média, R$ 25, ou mais de três vezes a cotação de ontem, de R$ 8,15. A aposta era de manutenção de receitas em alta, cada vez gerando mais caixa para reduzir a alavancagem pós aquisições.
Trimestre a trimestre, nada disso se confirmou e os analistas deixaram de conceder obenefício da dúvida à companhia. Diante de quedas muito aceleradas das cotações, mantiveram a recomendação de compra porque, com as baixas, o potencial de crescimento ainda se mostrava grande – mesmo após reduções da ordem de 30% no preço-alvo. Como explica o especialista Alexandre Póvoa, as expectativas para o crescimento das empresas de varejo na bolsa estavam muito elevadas.
“Assim, se acompanhia não entrega resultado, o analista precisa rever o seu modelo, o que vai implicar uma redução também forte do preço estimado”, diz.
Após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, os relatórios dos analistas apontam em média que a ação da empresa estará valendo, no fim deste ano, perto de R$ 9 por ação. Os analistas passaram a questionar a falta de visibilidade do negócio e acredibilidade da gestão.
O Barclays, em março, comentava que a empresa era uma das favoritas do mercado, mas uma série de projeções não cumpridas prejudicou a confiança do investidor na entrega de sinergias prometidas.
Póvoa observa que se a gestão perde credibilidade o analista tende a ficar mais conservador em suas projeções.
Alguns investidores no mercado já questionam por que o principal acionistada Hypermarcas, João Alves de Queiroz Filho, conhecido como Júnior, não aparece para conversar com os investidores. A avaliação vem de parte dos fundos que dão valor a um acionista que, apesar de não ter o controle de fato, tem olhar de dono na empresa. Queiroz Filho não deu entrevista, e a empresa informa que possui um departamento dedicado à prestação de informações ao investidor, que garantetratamento equânime e transparente a todos os acionistas.
Martim Prado, diretor financeiro da Hypermarcas, diz que não houve ineficiência administrativa. “Quando se abre o nosso resultado fica claro que entregamos as sinergias propostas. A diminuição do Ebitda não vem de despesa maior, mas de um lucro bruto menor porque a nossa receita caiu por conta da desestocagem dos clientes”, diz.
“Já nosdesculpamos pela falta de visibilidade, mas entendemos que estamos no caminho certo.”
A companhia reduziu duas vezes a projeção para o Ebitda neste ano. Começou com R$ 1 bilhão, passou para R$ 900 milhões e agora está em R$ 700 milhões.
“Passamos para o mercado as mesmas estimativas que passamos para o conselho. A situação, a cada trimestre, mudou. Para nós, governança e transparência estãoimediatamente ligadas ao fato de que, se a situação mudar, tem de ser imediatamente comunicada. Fizemos isso com a visibilidade que tínhamos”, diz.
Para o mercado, neste ano, nenhuma informação passada pela Hypermarcas foi suficientemente clara. Antes da redução da projeção, a empresa modificou as estimativas -antes divulgava a margem Ebitda e as vendas mesmas marcas.
A mudança desagradou osanalistas, como observou o Credit Suisse, em relatório de maio.
Prado explica que a empresa, por conta das várias aquisições, estava sem base de receita.
“Fizemos um pro forma, para ter uma base comparável e, já que fornecíamos margem e vendas, achamos mais simples passar diretamente o Ebitda. Mas o mercado sentiu que perdeu a referência.”
A comunicação também desafinou, inicialmente, quado a empresa...
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