Trabalho e sindicalismo em tempo de globalização

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  • Publicado : 26 de novembro de 2011
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"Trabalho e Sindicalismo em Tempo de Globalização"

Introdução
"Trabalho e sindicalismo em tempo de globalização – reflexões e propostas"
O trabalho como factor de produção, actividade socialmente útil, essencial à socialização, expressão de qualificações, fonte de direitos sociais e de cidadania, direito universal e espaço de valorização, factor de alienação económica e ideológica, condiçãode acesso a padrões de consumo e estilos de vida, actividade humana que se adapta às novas preocupações ambientais e ecológicas.
Nestas nove dimensões assenta a análise de Carvalho da Silva à centralidade do trabalho, tema da sua tese de doutoramento em Sociologia, agora convertida em livro, sob o título "Trabalho e sindicalismo em tempo de globalização - reflexões e propostas".
Ao longo de maisde 500 páginas, o secretário-geral da CGTP-IN procura demonstrar que o trabalho não deve ser apenas encarado como factor de produção, ao serviço de estratégias gizadas por multinacionais e subordinado a objectivos de produtividade e competitividade. Carvalho da Silva recusa a neutralidade axiológica.
Assume que se trata da leitura de um "sociólogo-sindicalista", que alia a investigação àexperiência acumulada em 30 anos de sindicalismo, num "constante vaivém metodológico entre teoria e empiria.
Para uma análise assente nas premissas clássicas do marxismo - perspectiva classista, confronto trabalho-capital - lança como hipótese a ideia dos sindicatos como actores colectivos fundamentais para o desenvolvimento e transformação da sociedade, embora sujeitos a readaptações estruturais,organizacionais e estratégicas.
A tese teve como instrumentos essenciais a observação participante, 250 conversas informais, 80 entrevistas, três mil questionários (1497 validados) e três estudos de caso - do complexo industrial Grundig/Blaupunkt, em Braga, da têxtil Nova Penteação e da Portugal Telecom - com características diferentes, mas também traços comuns.
Democracia a perder
"Não há soluçõespolíticas à Esquerda sem a retoma, por parte das forças progressistas, da centralidade do trabalho", o panorama traçado ajuda a perceber por que faz aquela afirmação. E outra: "As multinacionais são hoje o factor determinante na estruturação social e política, até dos estados. E não apenas pelo poder económico que detêm".
Crescente precariedade laboral - detectável na evolução da Grundig e da PT-, imposição de modelos de mobilidade, polivalência e flexibilidade, individualização das relações de trabalho, com a correspondente desvalorização das convenções colectivas, menorização do direito laboral, tomado como obstáculo a estratégias de matriz neoliberal, assentes no livre funcionamento do mercado - eis alguns dos traços dominantes da globalização em curso, a que se junta a perda deeficácia das instituições reguladoras. Desde logo, o Estado, mas também a Organização Internacional do Trabalho, a do Comércio (OMC), o FMI ou o Banco Mundial.
Carvalho da Silva não tem dúvidas à medida que se consolida, este modelo de globalização enfraquece a democracia. Como devem posicionar-se os sindicatos, neste novo contexto, carregado de desafios?
Por um lado, batendo-se pela instituição deregras mínimas na actuação das multinacionais perante os estados e pela adopção de mecanismos de fiscalização, como as cláusulas sociais a introduzir nas normas da OMC. Por outro, valorizando a contratação colectiva, conscientes dos enormes bloqueios que a afectam.
Desafios ao desenvolvimento
Pensar as dinâmicas sociais contemporâneas e o papel que, nelas, pode caber ao sindicalismo é umexercício cuja importância só será comparável à sua dificuldade.
Trata-se de um exercício difícil porque os desafios com que se confrontam as democracias dos países de capitalismo maduro exigem, quer dos decisores políticos legitimados pelo voto popular, quer dos sindicalistas, tanta coragem e determinação quanta lucidez política.
Já não existe o modelo de capitalismo que fez os assalariados criar...
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