Resenha critica do texto ( o desenvolvimento infantil e as teorias de aquisição da linguagem

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Disciplina
Fundamentos da
Alfabetização
Módulo
3.2

Docente
Prof. Ms. Letícia Fonseca Castro
Data
2012

Texto complementar - 1: Aula 1

LÍNGUA E LINGUAGEM

Prof. Ericsson Linhares
Universidade do Rio de Janeiro (UERJ)

A comunicação é o motor da inter-relação entre os homens, contínua, permanente, obrigatória; a
linguagem é o seu combustível. A linguagem é um instrumentobrandido sobre nossas cabeças desde
o nascimento até aos mais elevados níveis de aperfeiçoamento intelectual.
Diz Miranda Reis: " (...) a reflexão é a grande característica da família humana. Como, porém, se
concretiza o pensamento refletido? Pela linguagem. Ora, a linguagem não é criação arbitrária de um
homem só; como expressão de um juízo, tem que ser patrimônio comum de um grupo, tem que sercompreendida. Do contrário, nada exprimiria. A expressão do pensamento, ou a linguagem, requer a
compreensão do pensamento. E ainda que se pudesse conceber a expressão do pensamento sem a
sua compreensão pelo grupo, ainda que esta não fosse imprescindível da definição daquela, a que
móvel obedeceria a exteriorização do pensamento pela linguagem, se esta, exteriorizando -o, não o
transmitisse aosdemais membros do grupo? A linguagem é, assim, um veículo do pensamento, um
meio de comunicação entre os homens e, portanto, fator primordial de associação." (p. 155)
Mas não só como expressão do pensamento, senão ainda, em parte, como seu elemento formador se
nos apresenta a linguagem (ver Durkheim, Sociologia e Filosofia ). Pois, que é o pensa mento senão,
como já se disse algures, uma"palavra interior"? [Cf. Victor Egger, La parole intérieure; e Vendryes: "la
méditation est une parole intérieure" ( Le Langage , p. 77)] Seus materiais são, por assim dizer,
importados do meio ambiente, da sociedade, do mundo exterior. E o que ocorre com o pensamento,
mais facilmente se verifica com relação à linguagem. É o grupo social que lhe impõe os caracteres
fonéticos, prosódicos,morfológicos e sintáticos que a distinguem (Vendryes, op. cit.).
"Provindo do grito animal, a linguagem dos primeiros homens se caracterizava, em sua forma, por um
grito, e em seu sentido, por um aviso, um alarme, um pedido de socorro."
"Como, do grito emotivo ou ainda onomatopeia, resultaram as partes do discurso, não sabemos.
Sabemos tão-somente que a linguagem evolveu, diferenciando -se. Locuções queprimitivamente

significavam "frases", "proposições", deram origem, por uma espécie de decomposição analítica, a
termos isolados, isto é, a palavras."
"(...) pronomes primeiro, depois verbos, depois adjetivos, depois substantivos. Mais tarde apareceram
os advérbios, depois as preposições e as conjunções."
"Do homogêneo ao heterogêneo. Da frase saiu a palavra, que, acompanhando sempre aevolução da
Idéia, cada vez se faz mais refletida, cada vez mais se "mentaliza". (Vendryes, op. cit.)
Lemos em Meillet: “A linguagem tem por primeira condição a existência de sociedades humanas, das
quais, por seu lado, é o instrumento indispensável e constantemente empregado; salvo acidente
histórico, os limites das diversas línguas tendem a coincidir com os dos grupos sociais que
denominamosnações; a ausência de unidade de língua é o sinal de uma nacionalidade recente, como
na Bélgica, ou artificialmente construída, como na Áustria; a linguagem é, poi s, eminentemente, um
fato social”.
Com

efeito,

entra

exatamente

na

definição

proposta

por

Durkheim;

uma

língua

existe

independentemente de cada um dos indivíduos que a falam, e, se bem que ela nãotem qualquer
realidade fora da soma dos indivíduos em ques tão, ela é, entretanto, além de sua generalidade,
exterior a cada um deles; o que o mostra, é que não depende de nenhum entre eles modificá -la, e que
todo desvio em seu uso provoca uma reação; esta reação não tem mais frequentemente outra sanção
que o ridículo exposto pelo homem que não fala como todo mundo, mas, nas nações...
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