Psicologia do idoso

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  • Publicado: 15 de março de 2012
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I- Introdução

A velhice é um processo pessoal, natural e inevitável para qualquer ser humano na evolução da vida. Nessa fase sempre acontecem mudanças biológicas , fisiológicas, psicossociais (psicológicas), econômicas e políticas que compõe o cotidiano das pessoas. Há duas maneiras de ocorrer essas mudanças : de forma consciente e tranqüila ou de forma intensa e depressiva. Existem fatoresdiretos e indiretos, responsáveis pelas dificuldades enfrentadas nessa fase da vida: pressões e preconceitos, doenças crônicas, perda do status socioeconômico-cultural e familiar
Na história da psicologia do idoso, o foco no declínio é tão forte que o envelhecimento era relacionado a perdas e prejuízos funcionais após a maturidade.
Até os anos 70 a psicologia e a gerontologia consideravam odesenvolvimento e o envelhecimento como processos opostos, mas hoje ambos são vistos como processos que coexistem ao longo do ciclo vital, embora com pesos diferentes na determinação das mudanças evolutivas que vulgarmente identificamos como perdas e ganhos.
Assim, somente no final do século XX, as crises na idade adulta e nas idades mais avançadas só começaram a ser privilegiadas e a psicologiado desenvolvimento concentrou-se no estudo da constância e da mudança no comportamento ao longo da vida, desde a concepção até a morte (ontogênese), e, de acordo com pesquisas na área,ela nunca terá uma única proposta,e sim será apoiada em vários campos de especialização diante da complexidade das mudanças no ciclo vital.













II- História

O processo de envelhecimentotem sido considerado historicamente através de duas fortes e opostas perspectivas: uma que o reconhece como a etapa final da vida, a fase do declínio que culmina na morte; outra que o concebe como a fase da sabedoria, da maturidade e da serenidade.
A idéia do envelhecer como uma etapa de perdas encontra-se difundida na população de um modo geral, mas também em estudos dessa fase específica dodesenvolvimento, como em Carvalho Filho e Alencar (1994). Por sua vez, Garcia Pinto (1987) refere-se a este processo como uma etapa de perdas dos antigos referenciais de vida, implicando no abandono de elementos da realidade e de si mesmo, gerando uma conseqüente crise de identidade. Essa concepção do envelhecer como uma etapa de crise aparece também em Adrados (1987) quando a caracteriza como:"umafase de vida em que vê diminuídas as suas possibilidades e precisa enfrentar inúmeras crises que inevitavelmente surgem nessa etapa final da vida"(p.58).
Apesar da vivência de limites próprios do desenvolvimento, Rolla (1991) afirma que um envelhecer positivo fortalece o sentimento de identidade, sem necessariamente envolver tanta deterioração psíquica quanto comumente se associa a essa fase.Menninger (1980) também parece encarar a velhice como mais um processo adaptativo da vida do indivíduo. Segundo este autor, essa etapa, como as anteriores, envolveria uma elaboração de perdas, uma adaptação às mudanças e um reafirmar da identidade, muito semelhante ao que já ocorreu durante a adolescência.
Compartilhando essa mesma concepção, Bosi (1983) avança nessa comparação entre o momentoadolescente e a velhice, afirmando que o que diferenciará essas duas fases será o sentimento do indivíduo: o adolescente vive expectativas (no geral elevadas) em relação a sua etapa de transição, enquanto o idoso sente-se um indivíduo diminuído em contato com suas perdas e sua falta de perspectivas.
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Para essa autora, a sociedade é que seria a responsável por essa diferenciação existente entreas crises, na medida em que impõe a desvalorização diante do envelhecimento, sofrendo ela própria perdas neste processo. Em suas palavras: "Então, a velhice desgostada, ao retrair suas mãos cheias de dons, torna-se uma ferida no grupo."(p.41)
Integrando essa vertente de avaliação mais positiva do envelhecer, destaca-se também a concepção de Erikson (1959/1976) que nega a velhice como estágio...
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