Porque psicologia do trabalho

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  • Publicado : 10 de junho de 2012
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No momento em que o Conselho Regional de Psicologia da 7ª Região promove o “1º Encontro Nacional de Psicologia do Trabalho” julgo importante uma reflexão sobre a expressão “psicologia do trabalho” que inusitadamente aparece pela primeira vez em um encontro desta ordem, e talvez por isso a classificação de 1º .
A psicologia vem merecendo do público grande interesse e a partir do início do séculovem sendo solicitada como aplicação prática em variados campos de atuação. As implicações da sociedade moderna solicitaram sua presença no domínio do homo faber, surgindo então, inicialmente, a chamada “psicologia industrial”. Surgiu com uma denominação de conotação limitadora referida por Tiffin e McCormick (1969) que passam a utilizar o termo indústria mas o estendem para todos os aspectos deprodução e uso de bens e serviços da economia.
Surgiu em um período em que a economia mundial substituía o estágio agrário e artesanal pela mecanização criando várias ocupações ligadas à operação e manutenção de máquinas. A psicologia estava, neste período, impregnada de influências da física, da astronomia, da matemática, e ensaiava uma tentativa de explicar o homem através dos conhecimentos queorientam essas ciências. Na área administrativa os parâmetros eram ditados pelos postulados de Taylor. Os modelos mecânicos constituíam a base filosófica de interpretação do social e a mudança fica percebida como um desequilíbrio e a volta ao equilíbrio como a única solução viável. Este foi o espaço da psicologia por imposição histórica ou por definição decorrente de sua prática de cunho“cientificista-positivista” presente na afirmação de Tiffin e McCormick (1969, p.4): “do mesmo modo que a pesquisa em ciências físicas e em engenharia fornece dados úteis para a solução de problemas técnicos, assim também a pesquisa do comportamento humano pode fornecer dados que poderão ajudar a resolver alguns dos problemas humanos da indústria”.
Neste contexto e chamado como auxílio para a busca doequilíbrio e da harmonia, encontramos o “psicólogo industrial”, no Brasil, uma das áreas de aplicação pioneira, previlegiando a aplicação de testes psicológicos para as chamadas questões de pessoal.
O avanço das ciências biológicas e a concepção de Biologia estudando os seres vivos e sua dependência e adaptabilidade ao meio ambiente invade rapidamente outras disciplinas como a Sociologia, a Psicologia,a Administração. Domina o conceito funcionalista de sociedade onde a estrutura é permanente podendo adaptar-se a algumas mudanças que não a afetem fundamentalmente. Assim, a concepção darwiniana aplicada ao sistema social já admite as evoluções e as mudanças a partir do potencial dos mais aptos. As mudanças são apenas “processos adaptativos (homeostase) que visam manter a estrutura sem rupturasbruscas à medida que as condições ambientais se alteram” (Camacho, 1984, p.4). A Psicologia percebe o indivíduo como um organismo que interage com o meio físico e previlegia o estudo do ato adaptativo. A introdução do termo “organização” na Administração é uma decorrência do modelo orgânico. Com a justificativa da divisão de trabalho exige-se uma “estrutura orgânica que se chama organização. Porisso se diz que a empresa é uma organização com a finalidade de produzir bens e serviços” (Mendes Ribeiro, 1987, p.10). Proliferam os manuais de psicologia descrevendo várias técnicas de avaliação de pessoal que possam prever o grau de adaptação do indivíduo à tarefa. Sugerem-se avaliações periódicas de desempenho, desenvolvimento de pessoal através de treinamentos, acompanhamentos sistemáticos,partindo do pressuposto de que um indivíduo desempenha tanto melhor quanto melhor estiver adaptado à sua função. O ponto culminante da influência do modelo orgânico é a introdução do enfoque sistêmico na Administração: “o conceito de sistema aberto tem sua origem na Biologia (...)” (Chiavenato, 1986, p.18). Torna-se corrente o uso da expressão “psicólogo organizacional” representando nitidamente...
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