Niels bohr

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Arquitetado o plano, só falta esperar escurecer para pô-lo em prática. É a noite de 23 de setembro de 1943. Na cidade de Copenhague, mais uma vez o toque de recolher traz o silêncio forçado. Mas a Resistência dinamarquesa - uma das mais bem organizadas da Europa - não cede. Continua sua incansável e perigosa missão de ajudar pessoas que procuram deixar o país ocupado pelas forças alemãs.Nessa noite, um pequeno barco de pesca leva a bordo um clandestino excepcional, cuja permanência na Dinamarca poderia ser incalculavelmente vantajosa para os alemães.

Niels Bohr, um dos maiores cientistas europeus em questões nucleares, é levado até a Suécia, de onde embarca num avião que se dirige para a Inglaterra.

Como medida extrema de segurança - uma vez que o avião pode ser abatidopelos inimigos -, o cientista viaja numa cabina especial que em caso de perigo pode ser aberta para deixar seu ocupante cair de pára-quedas. E leva consigo uma garrafa para cerveja cheia com "água pesada" (uma vez em Londres, porém, verificaria que se havia equivocado, transportando por 900km, com todo o cuidado, uma garrafa para cerveja contendo. . . cerveja).

Bohr deixa seu país pelo receio deser enviado a um centro de pesquisas nazista, onde deveria colaborar na construção de armamentos atômicos.

Nascido em Copenhague no dia 5 de outubro de 1885, Niels David Bohr formou-se em Física em 1911. Nesse mesmo ano transferiu-se para o Laboratório Cavendish, na Universidade de Cambridge. Aí trabalhou com J. J. Thomson, com o objetivo de concluir a elaboração de sua tese sobre eletrônica.No ano seguinte foi para Manchester, para trabalhar com E. Rutherford. Este, recém-chegado do Canadá, não escondeu sua admiração pelo jovem assistente, definindo-o como "o homem mais inteligente que já tenha conhecido", sem saber que mais tarde Bohr seria o continuador de sua obra no estudo da interpretação da estrutura do átomo. Rutherford acabara de propor uma nova teoria "nuclear", baseando-seem experiências sobre o espalhamento de partículas alfa.

Para Bohr, o encontro com Rutherford foi decisivo: daí por diante resolveu dedicar-se ao estudo da estrutura do átomo. De fato, Rutherford descobrira que o átomo possui, no centro, um núcleo no qual se concentra praticamente toda sua massa. Os elétrons, descobertos por J. J. Thomson poucos anos antes, localizavam-se ao redor do núcleo.Não se sabia exatamente, porém, como esses elétrons se dispunham e quais suas relações com o núcleo.

Voltando à Dinamarca em 1913, Bohr procurou estender ao modelo atômico proposto por Rutherford os conceitos quânticos sugeridos por Plank, em 1900.

Bohr acreditava que, utilizando a teoria quântica de Planck, seria possível criar um novo modelo para descrever o átomo, capaz de explicar a maneiracomo os elétrons absorvem e emitem energia radiante. Esses fenômenos eram particularmente visíveis na análise dos espectros luminosos produzidos pelos diferentes elementos. Ao contrário daquele produzido pela luz solar, esses espectros apresentam linhas de luz com localizações específicas, separadas por áreas escuras.

Nenhuma teoria conseguira até então explicar o porquê dessa distribuiçãoEstudando o átomo de hidrogênio, que é o mais simples de todos, Bohr conseguiu, em 1913, formular seu novo modelo. Concluiu que o elétron desse átomo não emitia radiações enquanto permanecesse numa mesma órbita, mas somente ao se deslocar de um nível mais energético (órbita mais distante do núcleo) a outro de menor energia (órbita menos distante).



A teoria quântica lhe permitiu formularessa concepção de modo mais preciso: as órbitas não se localizariam a quaisquer distâncias do núcleo; ao contrário, apenas algumas órbitas seriam possíveis, cada uma delas correspondendo a um nível bem definido de energia do elétron.

A transição de uma órbita a outra não seria gradativa, mas se faria por saltos: ao absorver energia, o elétron saltaria para uma órbita mais externa; ao...
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