Internet: normas reais para um mundo virtual?

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  • Publicado : 19 de novembro de 2011
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Internet: normas reais para um mundo virtual?

A web não se trata apenas de um espaço virtual onde processos comunicativos ocorrem em grande escala e alta velocidade. Com o passar do tempo, e com a massificação do seu uso, a Internet consolidou-se como uma extensão do mundo material, estando para nós hoje em dia, como o telégrafo, o telefone e o fax estiveram para gerações passadas. O grandediferencial da Rede é o fato desse mecanismo permitir o acesso instantâneo a dados antes inatingíveis, em uma escala extraordinariamente maior. Basta sabermos o endereço de um site para que possamos estabelecer essa relação de conectividade.
Essa facilidade de acesso gera uma euforia no usuário. Quem nunca parou em frente à página inicial do navegador sem saber ao certo o que iria fazer e, derepente, estava com quatro ou cinco janelas abertas, messenger e outros programas on-line ativos? A Internet, para muitos é a nossa atual válvula de escape, e possui o incrível poder de combinar lazer, pesquisa, trabalho e vício.
Antonio Jeová Santos, em Dano Moral na Internet (Ed. Método, 2001), aborda, em seu quinto capitulo, intitulado “A Internet como meio para ofender a honra”, questões queabrangem uma série de discussões, seja sobre sua relevância, seja sobre sua real validade.
Não é difícil imaginar que o nível de atenção empregado ao uso da Internet dificilmente será o mesmo que empregamos ao ler um livro ou assistir um filme no cinema, por exemplo. Sendo assim, fica mais complicado ainda que se exija do atribulado (e por que não dispersivo) internauta, um comportamento dentro deuma normatização formal nos moldes da Netiqueta, citada por Santos (p.212). Acrescente isso à intimidade que pode existir entre as pessoas que se comunicam em um bate-papo virtual, ou mesmo ao total anonimato que os chats proporcionam, e essa proposta torna-se infundada, para não dizer que ela já nasceu morta. Digo isso me baseando por uma série de motivos:
- Como seria possível controlar o enviode todas as mensagens enviadas?
- Quem definiria os padrões a serem seguidos, uma vez que o mesmo sinal gráfico pode significar coisas totalmente diferentes para pessoas de culturas distintas?
- Fora isso, quem seria o responsável por analisar as diferentes linguagens empregadas por todos os usuários, uma vez que elas estão sempre em constante e rápida mutação?
Uma pessoa que não assina ume-mail, pode não o fazer pelo fato de que o receptor já possuir seu endereço catalogado em seus contatos, tornando esse ato desnecessário. Uma determinada frase pode ser interpretada como irônica, raivosa ou até mesmo carinhosa, dependendo de quem a receberá, e até mesmo do estado de espírito em que essa pessoa se encontra.
Em se tratando de honra, assunto que predomina no capítulo da obra citado,encontramos novamente uma série de discrepâncias no que diz respeito à uma regulamentação, a uma normatização. A Internet foi criada dentro de um espírito “ninguém é de ninguém”, e isso dificilmente mudará. Os serviços de busca estão cada vez mais segmentados, possibilitando o acesso à informações muito detalhadas. Experimente digitar o seu nome completo no “Google”, e procure não se espantar comoresultado. Lá estarão muitas informações a respeito da sua pessoa, sem que ao menos uma autorização prévia fosse concedida. Entre em páginas de órgãos governamentais e será possível dar uma espiada na sua vida. Embora existam proteções, essas são facilmente derrubadas por jovens de 14 anos obcecados em superar esse tipo de obstáculo. E quem controla isso?
Os legisladores chegaram atrasados paraessa festa, e a medida que o tempo avança, torna-se mais difícil a sua tarefa. Um jornal possui tiragem limitada, e sua distribuição pode ser monitorada. Uma emissora de rádio ou TV possui uma abrangência pré-determinada. Uma homepage não. Ela pode ser acessada em qualquer parte do globo, por um número de pessoas que não é possível se prever, e as conseqüências de uma notícia ou foto veiculada na...
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