Humanidade e animalidade, tim ingold

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Fichamento: Humanidade e Animalidade, Tim Ingold

UFMG Psicologia Fafich

“A humanidade é um tema peculiar da antropologia.”
Como se construir a ciência da humanidade?
Primeiro poderia se pensar nas condições de Homo Sapiens não passando de mais um espécie dentro de outras milhares, só mais um animal, e ainda por cima, uma espécie relativamente jovem. Ou também se pode compreender ahumanidade levando em consideração a capacidade humana de criar a partir de seu pensamento e suas ações, determinando assim o Homo Sapiens como uma espécie em particular distinta dentre outras nominações.
No entanto pensar em um conceito que se faça correto para guiar a definição de ciência humana parece um tanto complicado, impossível, pois tal tema sempre esquiva-se dos limiares de entendimentodisponíveis.
Dessa forma a questão não é a dificuldade de analisar a condição humana, mas sim na realidade a noção de que jamais teremos a capacidade de acompanhar o passo dessas transformações humanas.
Nota-se que essas duas visões diferem muito entre si, e sendo assim devemos analisar a condição da humanidade com base nas ideias a cerca dos animais.
Na tradição do pensamento ocidental os conceitosde “humano” e “ocidental” encontram-se repletos de comparações, ambiguidades e conceitos muito preconceituosos intelectuais e emocionais.
Desde sempre, os animais ocupam posição de base na construção de conceito ocidental de homens e também da imagem que homem ocidental faz da mulher.
A humanidade é concebida a partir de uma depreciação do conceito de animalidade, o que é demonstrado a partirde aspectos ditos singulares dos homens como: suposta linguagem, razão, intelecto e moralidade.
Sem contar que quanto mais a sociedade humana cresce, é percebido como descoberta polêmica a realidade de que humanos também são animais e que essa comparação entre humanidade e animalidade nós proporciona um entendimento mais claro do que nós somos.

O artigo, Humanidade e Animalidade, de Tim Ingolddivide-se em três partes:
Na primeira parte, é analisada a definição biológica homem como espécie animal, Homo Sapiens. E é abordado também, Como conhecer ou não um ser humano?
Na segunda parte do artigo é introduzido um significado alternativo de ser humano, existindo numa condição oposta á de animal.
Na terceira Parte, a associação popular entre essas duas noções de humanidade, como espéciee como condição, dando origem a uma concepção peculiar da singularidade do ser humano.

Uma questão de ter cauda ou não

No ano de 1647, um tenente da marinha sueca, chamado Nicolas Köping, contou um relato um tanto quanto curioso que ocorreu quando servia a bordo de um navio mercante na baía de Bengala. Quando o navio navegava próximo a uma ilha, Köping afirmou ter visto habitantes nus, comcaudas semelhantes á dos gatos e com um porte felino. Segundo Köping eles remavam próximos ao navio em suas canoas, evidentemente acostumados a comerciar.
Segundo relatos de Köping esses habitantes comeram dois tripulantes do navio quando esses foram até a ilha buscar suprimentos e roubaram pedaços de ferro do bote dos tripulantes, evidenciando interesse pelo metal.
Um ano depois um aluno deKöping, Hoppius classificou esses homens com cauda como macacos, apropriadamente chamados de (Lúcifer).
Um juiz conhecido como Lorde Monboddo leu esses relatos e começou a demonstrar as continuidades e os contrastes entre homens e animais. Fascinado pela história dos homens com cauda, Monboddo foi checar a veracidade dos relatos e deu-se por satisfeito ao saber das credenciais de Köping, pois asdescrições sobre a natureza que o tenente observa em suas viagens mostrara-se bem precisas em outros assuntos. E com base na crença de que Köping falava a verdade novas dúvidas apareceram. Será que eles são humanos? Monboddo tinha muitas dúvidas, sem contar na informação no relatório de Köping de que esses nativos conheciam a arte da navegação, eram acostumados ao comércio e faziam uso do ferro....
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