Descolamento prematuro de placenta

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3- REVISÃO BIBLIOGRÁFICA:
3.1) DESCOLAMENTO PREMATURO DE PLACENTA: HISTÓRICO E CONCEITOS
A evolução do conhecimento do DPP teve seu inicio no fim do século XVII com Mauriceau, o primeiro a individualizar essa entidade. Muitos outros pesquisadores deram sua contribuição ao longo da história, como Rigby, que utilizou o termo acidental para realçar a diferença com a hemorragia da placenta prévia.Outros nomes como De Lee (1901), Dieckmann (1936), Moloney e cols. (1949) no estudo das coagulapatias, graves também deram a sua contribuição para essa complicação obstétrica fosse diagnosticada9.
A placenta é um órgão que liga o produto da concepção ao útero materno durante a gestação que perderá sua função logo após o nascimento do concepto e se desprenderá fisiologicamente, porém nodescolamento prematuro da placenta, a separação da placenta implantada no útero ocorrerá antes do nascimento do feto, em gestação de 20 ou mais semanas completas que é resultante de processos fisiopatológicos muitas vezes de origem desconhecidas10.
A literatura atual relata que o deslocamento prematuro de placenta ocorre numa freqüência de 0,5 à 3,0% das gestações1.Aproximadamente 10% dos casos dedescolamento são grandes o suficiente para ameaçar a viabilidade fetal, 1/3 dos bebês nascidos de mulheres com DPP morrem, porém mais de 50% dessas mortes seriam pelo nascimento prematuro; e entre os 50% restantes muitas morrem por hipoxia intra-uterina11.
Classicamente, o DPP é uma patologia aguda e evolutiva, isto é, hemorragia, no sitio de implantação placentária, ao nível da decídua basal que temprogressão inexorável, entretanto observações apontam para a possível existência de quadro evolutivo mais lento, insidioso, que é denominado DPP crônico9.
3.2) CAUSAS DO DESCOLAMENTO PREMATURO DE PLACENTA
As causas do DPP não são totalmente conhecidas, mas podemos didaticamente dividi-la em traumáticas e não-traumáticas. As de origem traumáticas, também chamada de mecânica, pode ser classificadaem interna e externa. As causastraumáticas externas possuem valor limitado na atualidade, restritas aos grandes acidentes e traumas. A prática da manobra obstétrica da versão cefálica externa também pode determinar quadro de DPP por meio de trauma externo12.
Entre as causas traumáticas internas, merecem destaque o cordão umbilical curto; o escoamento rápido do líquido amniótico no polidrâmnio; osmovimentos fetais excessivos; a retração uterina após o parto do primeiro gemelar, hipertonia uterina (primária ou por abuso de ocitócicos), entre outras12.
As causas não-traumáticas: Constituem o aspecto etiológico mais importante, com destaque para os chamados fatores predisponentes. A literatura clássica e estudos mais recentes têm enumerado os principais: hipertensão arterial, condiçãosocioeconômica, multiparidade, idade materna avançada, passado obstétrico ruim, relato de DPP em gestação anterior, cesárea prévia, restrição do crescimento intra-uterino, corioamnionite, gemelaridade, diabetes mellitus, tempo prolongado da ruptura de membrana, tabagismo, etilismo e uso de drogas ilícitas principalmente cocaína12. A mulher que tenha tido dois DPP's anteriores será exposta a um risco derecorrência de 25% na gestação seguinte11.
Para representar a magnitude da ocorrência de casos de DPP, o boletim epidemiológico do Comitê Estadual de Prevenção e Controle da Morte Materna e Perinatal da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ) em 2001, demonstrou o seguinte gráfico:
GRÁFICO 1:
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Este gráfico é representativo das taxas deóbitos maternos por causa direta no Estado do Rio de Janeiro e deixa claro a contribuição dramática que ocorrência do DPP trás as gestantes13.
Entre as causas de morte materna, as síndromes hipertensivas corresponderam a 30% das mortes obstétricas por causas diretas. As causas hemorrágicas somaram 24,62% e entre elas o DPP foi o principal fator responsável, acometendo 13,85 dos casos de óbitos...
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