Brinquedoteca hospitalar

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  • Publicado : 29 de agosto de 2012
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Brinquedoteca Hospitalar

O ambiente hospitalar traz com ele regras que, muitas vezes, ameaçam o comportamento espontâneo da vida diária. A organização do hospital visa o cuidado da doença física, esquecendo-se dos aspectos biopsicossociais do ser humano, esperando dele passividade e discrição. Essa condição é encontrada em muitos hospitais pediátricos, onde observamos a centralizaçãodesproporcional na doença em relação à saúde, na morte ao invés da vida, na morbidez em detrimento da vitalidade e uma grande preocupação em prolongar a vida biológica em descentralização de outras dimensões da mesma.
A hospitalização traz consigo transtornos em todas as fases da vida, sendo potencialmente traumática na infância com prejuízos da saúde mental que permanecem mesmo após a alta hospitalar.Quando uma criança sofre uma internação o seu curso de desenvolvimento, a sua forma de ver o mundo tem continuidade, mas muitas vezes promovem uma série de alterações na rotina e na vida da criança e família. A criança é afastada de sua vida cotidiana, do ambiente familiar e submetida a um confronto com a dor e a limitação física.
A criança diante desta nova situação pode apresentar sentimentoscomo medo, sensação de abandono, distanciamento de pessoas queridas, culpa e até mesmo sensação de punição, o que acarreta mais sofrimento e dificuldade de intervenção para a equipe. Tudo isso ocorre ao mesmo tempo, mas com intensidades diferentes em cada criança, pois é preciso levar em consideração a idade, situação psico-afetiva, rotinas hospitalares, motivo e duração da internação. Estascondições vão determinar um maior ou menor comprometimento durante o tratamento.
Pensando nesses aspectos da internação infantil é que a humanização hospitalar busca melhorar a qualidade do atendimento dos pacientes com base no conceito de saúdeglobal. É necessário que todas as pessoas que tenham contato com a criança, saibam que não se deve tratar somente a doença e sim vê-la como um todo, com suasnecessidades específicas, como o brincar .
Brincar é um direito de toda criança, mesmo para aquelas que se encontram hospitalizadas. Desde 2005, a brinquedoteca hospitalar é obrigatória, amparada pela lei Federal 11.104, de 21 de março, a qual dispõe sobre a obrigatoriedade de instalação de brinquedotecas nas unidades de saúde que ofereçam atendimento pediátrico em regime de internação. Abrinquedoteca hospitalar vem para garantir à criança um espaço destinado ao ato de brincar com o intuito de colaborar no tratamento das mesmas e amenizar traumas que podem surgir com a internação. Diante desta realidade, buscou-se como objetivo principal conhecer algumas propostas em hospitais infanto-juvenis em relação à brinquedoteca. Para embasamento teórico utilizamos como principais autores Cunha 1998- 2007 Kishimoto 1997 - 1998, Santos 1995, Ribeiro 1997,Viegas 2007, Lindquist 1998, Friedmann 1998. Trata-se de uma pesquisa com enfoque qualitativo.
Muitas crianças não podem gozar do direito de brincar, pois perdem esse direito ainda nos primeiros anos de sua infância pelos mais diversos motivos: seja por uma deficiência, por estarem hospitalizadas, por terem que começar a trabalhar nainfância ou para ajudarem suas famílias. Outras, porém, não tem brinquedos. É importante ressaltar que as crianças possuem uma imaginação muito fértil e, às vezes, mesmo com a ausência do brinquedo não as impede de brincar, porém o brinquedo é um recurso material que facilita esse ato.
Na antiguidade, o brincar era uma atividade característica tanto dos adultos quanto das crianças, tendo umarepresentação importante no segmento da vida.
Segundo Friedmann:[...]as brincadeiras eram fórmulas condensadas de vida, modelos em miniatura da história e destino da humanidade. A brincadeira era um fenômeno social dos quais todos participavam e foi só bem mais tarde que ela perdeu seus vínculos comunitários e seu simbolismo religioso, tornando-se individual (FRIEDMANN, 1998, p.29).
Com o passar do...
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