Bilinguismo

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  • Publicado : 4 de agosto de 2011
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Numa Europa multilingue e multicultural, atravessada por graves problemas sócio-económicos, é hoje, mais do que nunca, indispensável que a escola saiba receber, preparar e integrar os seus alunos de e para ambientes pluriculturais e plurilingues. Numa Europa que promove (ou força) a mobilidade, a importância do domínio de duas ou mais línguas(bilinguismo/plurilinguismo) é inegável a tal pontode constituir um fator de sucesso ou insucesso de integração no mundo do trabalho.
Ora como lembra Pinto (2001:72), importa, antes de mais, saber “se os professores de línguas estrangeiras terão de preparar falantes[bilingues/plurilingues] que apresentem competências compatíveis com as dos verdadeiros bilingues” e ainda o que “se entende, finalmente, por bilingualismo/plurilinguismo?”
Aresposta a estas perguntas não reúne unanimidade entre os diferentes estudiosos. Definições do bilinguismo como “the use of two languages by an individual or a speech community” (Rod Ellis: 1994:694) ou de bilingue como “a person who knows or uses two languages” (Paradis 2004:2), determinam, desde logo, a forma como estas noções são encaradas, ou seja, permitindo que haja mais que uma leitura dobilinguismo/plurilinguismo. À mais rígida, leitura monolingue, correspondente o critério maximalista, e à mais flexível, a leitura holistica, corresponde critério minimalista (cf Paradis, 2004:2) .
Segundo uma leitura forte do bilinguismo (monolingue), o bilingue apresenta duas competências linguísticas isoladas e separadas, ou seja, o verdadeiro bilingue é aquele que é “equally and fully fluest in twolanguages”, pois “the bilingual is (or should be) two monolinguals in one person” (Grosjean,1992:52). Nesta perspectiva está claramente subjacente a ideia de equilíbrio no domínio de duas línguas. Nos casos em que tal não se verifique, os indivíduos não podem ser designados bilingues ganhando designações como “desequilibrados”, “semilingues” e “alingues” dependendo da situação.
A perspectivaoposta, leitura holística ou bilingue, entende o bilingue como “an integrated whole wich cannot easily be decomposed in two separate parts” (Grosjean 1992, 54:55). Desta perspectiva depreende-se claramente, que o bilingue não é a soma de dois monolingues completos ou incompletos, mas antes um falante-ouvinte, de configuração linguística única e específica, que é competente no uso de ambas aslínguas, juntas ou isoladamente, dependendo das situações ou interlocutores (cf Grosjean 1992).
Para Grosjean (1992:58), entre estes dois critérios do bilinguismo que vão de um pólo em que os bilingues/plurilingues se encontrariam “in a totally monolingual speech mode” ao outro pólo em que os falantes estariam “in a bilingual speech mode” onde “they noramlly mix languages (code-switch and borrow)”,existe um “contínuum” ao longo do qual o bilingue se vê retratado. De acordo com este autor, ao longo da vida, o bilingue pode, situar-se em vários pontos de um “contínuum” uma vez que os “bilinguals differ among thenselves as to the extent they travel along the continuum”.
Esta ideia de “continuum” também se encontra patente em estudos de outros autores. Cook (2006:14), que considera que a noção demulticompetência confinada aos bilingues de nível avançado, introduz a noção de “continuum” a propósito da questão da integração das línguas nos bilingue, elencando três situações possíveis: a separação, a interconexão e a integração.
Também Seliger e Vado (1991:5) no seu estudo subordinado ao atrito da primeira língua, contemplam a noção de “continuum” a propósito do desenvolvimento dobilingue, distinguindo três etapas fundamentais: o bilinguismo composto (I), o bilinguismo coordenado e o bilinguismo composto (II).
Se do acima exposto fica claro que os bilingues constituem um grupo heterogéneo que diferem entre si em termos de proficiência/domínio e que se situam ao longo de um “proficiency continuum” que vai desde do ambilinguismo ao semilinguismo, passando pelo equilinguismo...
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