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INTERAÇÕES EM SERVIÇOS: O GARÇOM EM BARES CAMPINENSES Marina Lemes LANDEIRO; Jordão Horta NUNES1 Palavras-chave: interação em serviços; cultura do trabalho; garçons; bares. A terciarização constitui uma mudança no mundo do trabalho. Trata-se de um processo gradual que convergiu para o aumento das atividades de serviços (ALMEIDA, 2004). Os avanços tecnológicos da terceira revolução industrial e odesenvolvimento econômico propiciaram o descarte de boa parte da mão de obra do meio agropecuário e industrial que, devido à ampliação da produção e demandas, em parte foi acolhida pelo setor de serviços. Pochmann (2006) também pondera o aumento da média da expectativa de vida como outro aspecto que contribui para a concentração de trabalho em serviços. O setor de serviços é caracterizado pelaheterogeneidade (Cf. POCHMANN, 2006). Existem trabalhos modernos de alta tecnologia que emprega profissionais qualificados e autônomos e; segmentos tradicionais que demandam pouca qualificação e muitas vezes estão relacionados à precarização e/ou informalidade (ANTUNES, 2009). Neste sentido, as mudanças no mercado de trabalho atingem principalmente os menos favorecidos socialmente. Sob taiscircunstâncias,

trabalhadores menos qualificados acomodam-se em serviços que exigem pouco em termos qualificativos. São serviços desprivilegiados socialmente, de modo geral, são serviços pessoais, aqueles que atendem à demanda individual (MELLO, 1998). As relações ocupacionais de serviços são identificadas por Goffman (1961) como um importante tipo de relacionamento entre pessoas da sociedadeocidental. O ideal de conduta adotado pelos trabalhadores é considerado um constituinte identitário do trabalhador. Goffman divide as atividades em que o trabalhador tem contato com o público ou não. As que exigem contato variam conforme o grau de apresentação nos serviços pessoais. Idealmente os serviços sociais referem-se a uma prestação especializada que exige comunicação pessoal direta entreservidor e servido e em que o servidor não esteja ligado a quem ele serve. Almeida (2004) argumenta que os serviços relacionais são os que mais expandem. Na maior parte são serviços especializados, em que a competência técnica é respeitada. Mas serviços com menor grau de profissionalização também são requisitados, como serviços de restauração e balcão. Já os empregos em transporte, logística
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ecomércio

decrescem,

bem

como

atividades

bancárias

e

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Marina Landeiro é cientista social e aluna do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Goiás (inalandeiro@gmail.com) e Jordão Nunes é o orientador deste trabalho (jordao@fchf.ufg.br).

telecomunicação, visto que são serviços capazes de serem padronizados e mecanizados. A procura porserviços relacionais justifica-se, segundo Almeida, devido ao aumento de necessidades e desejos de cuidados, assistência, formação e lazer e também devido ao enfraquecimento de laços de solidariedade de familiares e vizinhos. Sobre a perspectiva da crítica a racionalidade econômica Gorz denuncia a dinâmica de economia de tempo e o advento de atividades que antes não eram remuneradas para aumentar otempo disponível daqueles que logram tal posição de conforto enquanto outros realizam atividades próprias a serviçais. Gorz ainda admite que um serviço é requisitado não somente por sua utilidade econômica, mas por proporcionar prazer a uma pessoa em ser servida (2003)2. A atividade do garçom corre risco de perda identitária ocupacional e desvalorização, pois muitas vezes os serviços de alimentaçãosão realizados em nãolugares (Cf. AUGÉ, 1994), locais onde não há incentivos para haver trocas identitárias, são locais de passagem (hotéis, shoppings, lojas de conveniência, aeroportos). Existem também os serviços de alimentação que são efetivados através de autoatendimento, descartando a necessidade do serviço. Em contraste a literatura crítica denuncia a “expropriação do trabalho emocional”...
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