Adeus ao trabalho

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Livro: Adeus ao Trabalho, Ricardo Antunes.
Cortez Editora, 155 páginas, 1995.Livro: A Desordem do Trabalho, Jorge Mattoso, Jorge Mattoso. Editora Scritta, 210 páginas, 1995. por Duarte Pereira*
Há duas décadas, fala-se com arrebatamento da busca de uma matriz energética menos dependente do petróleo; da substituição de antigos insumos por novos materiais, como a fibra ótica; do desenvolvimentoda biotecnologia e da invenção de plantas e animais transgênicos; e sobretudo dos saltos na microeletrônica, na informática, nas telecomunicações, na automação e na robotização. O entusiasmo é compreensível: essas novas tecnologias, impelidas por uma competição mais acirrada no mercado globalizado e associadas a novas técnicas gerenciais e à reformulação da linha de montagem e dos escritórios dasfábricas, deflagraram uma terceira revolução industrial destinada a mudar a cara do planeta no final do século XX e início do seguinte, assim como a Primeira Revolução Industrial garantiu a emergência das sociedades capitalistas em meados do século XVIII e a segunda acelerou a passagem do capitalismo concorrencial ao capitalismo dos oligopólios no final do século XIX.
Exalta-se o indiscutívelpotencial dessas mudanças tecnológicas e organizacionais para aumentar a riqueza do mundo, livrar a humanidade de trabalhos repetitivos e extenuantes e aproximar povos e culturas. Não se presta a mesma atenção nas conseqüências sociais que estão espalhando, como o aumento do desemprego permanente, a desarticulação do mercado formal de trabalho e o alargamento do fosso entre os países avançados e amaioria das nações periféricas. E nesta face negligenciada da nova modernização conservadora que se concentram duas teses defendidas na Unicamp e agora transformadas em livros: do economista Jorge Mattoso, A Desordem do Trabalho, e do sociólogo Ricardo Antunes, Adeus ao Trabalho? - Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho.
Apesar de baseados em trabalhos acadêmicos, oslivros fluem sem excesso de estatísticas ou de termos técnicos e coincidem na descrição da maioria das mudanças tecnológicas e organizativas. Contrapõem-se nas saídas que vislumbram: Mattoso, insistindo na possibilidade de "diferentes caminhos do capitalismo", procura o menos penoso para os trabalhadores; Antunes, preocupado com o desemprego estrutural e a alienação crescente dos trabalhadores, buscauma alternativa "para além do capital".
Mattoso desdobra sua argumentação em quatro movimentos habilmente concatenados. No primeiro, reconstitui o padrão de desenvolvimento que vigorava no mundo capitalista até meados dos anos 70 e que denomina de "norte-americano", em contraposição ao padrão "inglês" anterior. Destaca que esse padrão não decorreu simplesmente de uma "determinação econômica",mas também do "contra-movimento" dos trabalhadores e da disputa, no pós-guerra, entre o bloco soviético em expansão e o bloco ocidental liderado pelos Estados Unidos.
No, segundo movimento, a crise da economia capitalista que explode no início da década de 70, começa a desmontar o padrão de desenvolvimento "norte-americano" e a desenhar um novo paradigma tecnológico e produtivo e uma novaorganização do trabalho. Enquanto isso, a crise do socialismo, "incapaz que foi de dar resposta às questões democrática e da inovação", e a crise da social-democracia, "incapaz que foi de dar resposta à ofensiva neoliberal", corroem as organizações tradicionais dos trabalhadores. As taxas de sindicalização declinam e os partidos de esquerda perdem votos e influência.
O resultado é exposto no terceiromovimento, o centro da pesquisa de Mattoso: o mundo do trabalho dos "anos dourados" do pós-guerra se desarticula. O desemprego aberto é crescente e a própria mão-de-obra ocupada tende a segmentar-se em três grandes parcelas: a primeira forma o núcleo estável e qualificado, indispensável às empresas; a segunda reúne a mão-de-obra sem maiores qualificações, fácil de ser substituída e que, por isso,...
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