O Ritual

Páginas: 16 (3786 palavras) Publicado: 17 de setembro de 2015
Depois do que aconteceu com o espelho, ainda me dá calafrios quando
lembro daquela coisa escura passando a janela tomando rumo ao céu e
sendo apagada por um relâmpago. Mas, isso não foi tão assustador
quanto o que me aconteceu dias depois ao ir visitar um amigo. Daniel é
um velho amigo, costumamos debater sobre as questões sobrenaturais,
alongamos horas e horas nesse assunto. Ele mora poucodistante de
Capela, minha pacata cidade, e para visitá-lo eu preciso da ajuda de Atal,
meu velho e amado fusca.
Era manhã de domingo por volta de 9 horas, o céu continha algumas
nuvens que se alternavam a sobrepor o Sol, amenizando um pouco o
calor. Em frente a minha casa, famílias passavam rumo a igreja, o velho
hábito das missas de domingo, eu também costumo ir, mas como esse
domingo resolvi visitarDaniel, apenas cumprimentava meus conhecidos
que passavam.
Costumeiramente tenho o hábito de olhar todos os detalhes possíveis a
minha volta, desde a hora, a situação do tempo, número de pessoas,
movimentação e etc, mas a rotina daquele momento me fez sobrepor
esse princípio. Coloquei algumas coisas no Atal, conferi sua gasolina e
água, então pós certificar-me que estava tudo certo, liguei orádio do
carro, coloquei meu bom e velho óculos. Como sempre, cabelo bem
arrumado para trás, barba bem formada, essa era minha visão ao verificar
o espelho para garantir meus últimos detalhes, por fim dei partida.
A minha velha maleta com alguns objetos e livros estava ao lado como
sempre, me fazendo companhia como carona. Ao sair da cidade tomei a
estrada de terra, uma paisagem agradável. O horizontedividido ao meio
por aquela estrada branca, com cercas de arame, e a paisagem típica de
sertão, aquele sol alternando, e sempre que oculto por uma nuvem o
vento frio passeava pelo ar. Pássaros cortam o céu, passando de um lado
para outro dos pastos. É possível encontrar casas afastadas da estrada, e
até ver famílias trabalhando.
O relevo então mudou um pouco, tive que dobrar a atenção, passeipara
uma parte da estrada onde existia algumas ladeiras. O rádio com o locutor
de voz rouca, lendo cartas de suas ouvintes, tocando músicas românticas,

foi interrompido por um barulho de queda de frequência em uma baixada,
logo após descer uma ladeira e iniciar outra. O estranho é que parecia que
em meio ao chiado havia vozes como se estivessem agonizando. Acreditei
ser reflexo do relevo. Algunsminutos depois cheguei a casa do meu bom
amigo, Daniel. Foram horas boas de papo, risos, almoçamos, contei-lhe
minha última aventura e por volta de duas da tarde tomei rumo de volta
para casa.
Novamente, no mesmo local, ocorreu a perda de frequência do rádio,
aquilo me chamou atenção. Já estava no meio da ladeira quando resolvi
voltar para conferir. O Atal se deslocava de ré, todo trêmulo, como seestivesse com medo, o coitado emitia um barulho forte e irritante ao
tomar a ré. Assim que cheguei novamente ao centro da baixada, entre
uma ladeira e outra, desliguei o Atal, e aumentei o volume do rádio. Era
possível, em meio ao chiado, ouvir gemidos e sons, como se fosse uma
música sacra. Resolvi procurar uma frequência, girei o botão do rádio para
um lado, para outro, e tudo do mesmo jeito, atéque ao fim das
frequências já quando a paleta vermelha do rádio se escondia, houve uma
melhora significativa. As vozes sobrepõem o chiado e então fica bem
audível.
Não era uma rádio, não poderia ser uma rádio passando aquele tipo de
programação. Pessoas gemendo em meio à gente cantando música sacra
em ritmo de um ritual. Nesse momento, meu princípio de observador
retorna, abro a minha maleta epego meu bloco de notas. Anoto dia, hora,
a situação do clima, possível relação de coordenada, frequência do rádio,
uma breve transcrição do que parece ser aquele som.
Volto a ligar Atal e engato a primeira, rádio ligado, me desloco cerca de
três metros e percebo que o som é interrompido, dando lugar ao chiado
pela falta de frequência. Coloco a ré, aquele velho barulho de lamentação
do Atal, me...
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