Desistencia voluntaria

Páginas: 531 (132625 palavras) Publicado: 7 de julho de 2014
MICHEL FOUCAULT

VIGIAR E PUNIR
NASCIMENTO DA PRISÃO
Tradução de Raquel Ramalhete

29ª Edição
EDITORA VOZES
Petrópolis 2004

Sumário
Primeira Parte
SUPLÍCIO
CAP. I - O CORPO DOS CONDENADOS, 9
CAP. II - A OSTENTAÇÃO DOS SUPLÍCIOS, 30
NOTAS, 57
Segunda Parte
PUNIÇÃO
CAP. I - A PUNIÇÃO GENERALIZADA, 63
CAP. II - A MITIGAÇÃO DAS PENAS, 87
NOTAS, 109
Terceira Parte
DISCIPLINACAP. I - OS CORPOS DÓCEIS, 117
A arte das distribuições, 121
O controle da atividade, 127
A organização das gêneses, 132
A composição das forças, 137

CAP. II - OS RECURSOS PARA O BOM ADESTRAMENTO, 143
A vigilância hierárquica, 143
A sanção normalizadora, 148
O exame, 154
CAP. III - O PANOPTISMO, 162
NOTAS, 188
Quarta Parte
PRISÃO
CAP. I - INSTITUIÇÕES COMPLETAS E AUSTERAS, 195
CAP.II - ILEGALIDADE E DELINQUÊNCIA, 215
CAP. III - O CARCERÁRIO, 243
NOTAS, 255

Primeira Parte
SUPLÍCIO
Capítulo I
O corpo dos condenados
[Damiens fora condenado, a 2 de março de 1757], a pedir perdão publicamente diante da porta principal da Igreja de
Paris [aonde devia ser] levado e acompanhado numa carroça, nu, de camisola, carregando uma tocha de cera acesa de
duas libras; [emseguida], na dita carroça, na praça de Greve, e sobre um patíbulo que aí será erguido, atenazado nos
mamilos, braços, coxas e barrigas das pernas, sua mão direita segurando a faca com que cometeu o dito parricídio,
queimada com fogo de enxofre, e às partes em que será atenazado se aplicarão chumbo derretido, óleo fervente, piche em
fogo, cera e enxofre derretidos conjuntamente, e a seguir seu corposerá puxado e desmembrado por quatro cavalos e seus
membros e corpo consumidos ao fogo, reduzidos a cinzas, e suas cinzas lançadas ao vento.(1)
Finalmente foi esquartejado [relata a Gazette d'Amsterdam].(2) Essa última operação foi muito longa, porque os
cavalos utilizados não estavam afeitos à tração; de modo que, em vez de quatro, foi preciso colocar seis; e como isso não
bastasse, foinecessário, para desmembraras coxas do infeliz, cortar-lhe os nervos e retalhar-lhe as juntas...
Afirma-se que, embora ele sempre tivesse sido um grande praguejador, nenhuma blasfêmia lhe escapou dos lábios;
apenas as dores excessivas faziam-no dar gritos horríveis, e muitas vezes repetia: "Meu Deus, tende piedade de mim;
Jesus, socorrei-me". Os espectadores ficaram todos edificados com a solicitude docura de Saint-Paul que, a despeito de
sua idade avançada, não perdia nenhum momento para consolar o paciente.
[O comissário de polícia Bouton relata]: Acendeu-se o enxofre, mas o fogo era tão fraco que a pele das costas da
mão mal e mal sofreu. Depois, um executor, de mangas arregaçadas acima dos cotovelos, tomou umas tenazes de aço
preparadas ad hoc, medindo cerca de um pé e meio decomprimento, atenazou-lhe primeiro a barriga da perna direita,
depois a coxa, daí passando às duas partes da barriga do braço direito; em seguida os mamilos. Este executor, ainda que
forte e robusto, teve grande dificuldade em arrancar os pedaços de carne que tirava em suas tenazes duas ou três vezes do
mesmo lado ao torcer, e o que ele arrancava formava em cada parte uma chaga do tamanho de um escudo deseis libras.
Depois desses suplícios, Damiens, que gritava muito sem contudo blasfemar, levantava a cabeça e se olhava; o

mesmo carrasco tirou com uma colher de ferro do caldeirão daquela droga fervente e derramou-a fartamente sobre cada
ferida. Em seguida, com cordas menores se ataram as cordas destinadas a atrelar os cavalos, sendo estes atrelados a seguir
a cada membro ao longo dascoxas, das pernas e dos braços.
O senhor Lê Breton, escrivão, aproximou-se diversas vezes do paciente para lhe perguntar se tinha algo a dizer.
Disse que não; nem é preciso dizer que ele gritava, com cada tortura, da forma como costumamos ver representados os
condenados: "Perdão, meu Deus! Perdão, Senhor". Apesar de todos esses sofrimentos referidos acima, ele levantava de
vez em quando a...
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