O uso do crack: um problema social restrito às metrópoles?

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  • Publicado : 8 de maio de 2012
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A dependência e uso de substâncias psicoativas se tornou um grande problema para saúde pública em quase todos os países no mundo e está muito ligada aos comportamentos violentos e criminais, principalmente entre os indivíduos com histórico ligado à agressividade, complicações médicas e psiquiátricas (Scheffer, Pasa e Almeida, 2010).
A sociedade atual se move pela industrialização e peloconsumismo e a alienação política e econômica em que vivemos acabam desumanizando o homem e conseqüentemente deixam de lado os valores humanos e afetivos. E o uso das drogas é uma forma de contestar e se evadir desse modo de viver social (Pratta, 2009). Com isso as drogas preenchem no indivíduo uma lacuna deixada pela sociedade e por meio desse prazer elas se tornam essenciais para o usuário.
Para Bucher(1992 apud Pratta, 2009) as drogas seguem a evolução das culturas, ou seja, a utilização e os tipos de drogas consumidos mudam conforme as condições sociais e culturais existentes. No passado as drogas eram um fator de integração social e atualmente tornou-se um elemento de doença social.
É o que demonstra a pesquisa sobre Dependência de álcool, cocaína e crack e transtornos psiquiátricosrealizada por Scheffer, Pasa e Almeida (2010). A pesquisa indica que fatores genéticos (histórico familiar de uso de drogas) e/ou culturais podem estar envolvidos no consumo e dependência de álcool, cocaína e crack.
Segundo dados mundiais, no Brasil o crack representa 1,5% das drogas ilícitas de maior consumo e acessibilidade. O crack “(...) é uma substância de alta prevalência que pode vir adesencadear graves sintomas de agressividade e de psicose” (Scheffer, Pasa e Almeida , 2010). Dentre outros motivos, é por esse que a Organização Mundial da Saúde - OMS (2001 apud Pratta, 2009) destaca, que a dependência química deve ser tratada simultaneamente como uma doença médica crônica e como um problema social.
Na primeira metade do século XX, os indivíduos dependentes e usuários de álcool ououtras drogas eram encaminhados para instituições psiquiátricas com o intuito retirá-los do convívio social e promover o abandono do uso. Neles eram empregadas as mesmas técnicas utilizadas em outros internos dessas instituições.
A partir da segunda metade do século XX pode-se perceber a relação entre a saúde e a doença e “(...) os fatores psicológicos, sociais, políticos, econômicos e ambientais,uma vez que condições inadequadas do meio exercem influência direta na possibilidade de um indivíduo manter a saúde”. (Rosa, Cavicchioli & Brêtas, 2005 apud Pratta, 2009)
Segundo Alves & cols. (2044 apud Scheffer, Pasa e Almeida , 2010) os estudos sobre comorbidades psiquiátricas em dependentes de álcool, cocaína/crack no Brasil são escassos. Por esse motivo ao iniciar o tratamento dessespacientes pode haver dificuldade na diferenciação entre transtornos anteriores ou derivados da dependência química por causa dos sintomas depressivos e ansiosos que surgem no período de abstinência da droga. Mas atualmente é vastamente conhecido na clínica psiquiátrica que ocorrências de transtornos mentais e outros tipos de transtornos podem ocorrer devido ao uso de substâncias psicoativas.(Zaleski & cols., 2006 apud Scheffer, Pasa e Almeida , 2010)
Nas últimas duas décadas, com o contínuo desenvolvimento dos estudos científicos, a dependência química é compreendida como um sério problema de saúde, que afeta o cérebro e, conseqüentemente, o comportamento (Scheffer, Pasa e Almeida 2010) o que pode, portanto, como já citado, afetar a sociedade e o meio onde o dependente se insere.Historicamente podemos perceber a relação entre a urbanização e a população e perceber que o tempo pode passar, mas o modelo de ocupação e relação social intrinsecamente se repete. Os problemas são acobertados para que aparentemente a sociedade esteja estável e bem organizada.
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