O processo

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  • Publicado : 2 de outubro de 2012
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O autor de O Processo, Franz Kafka, influenciou a literatura com temas que ultrapassaram a racionalidade, lucidez e traços irônicos. Seu estilo límpido não o impediu de narrar os piores pesadelos de uma sociedade problemática do início do século XX. Sua escrita parte do individualismo para alcançar o universalismo, transformando acontecimentos e agonias sociais. A atmosfera de pesadelotransparece a angústia interna do próprio autor, como foi visto em Dostoiévski e suas particularidades do Homem do Subsolo.
A complexidade do pensamento do autor que critica a opressão burocrática das instituições, retrata uma “justiça” incompreensível e revela a fragilidade dos homens comuns frente aos acontecimentos ao longo do processo. É mostrado ao longo da obra a desintegração da personalidadehumana ante um Estado totalitário e impessoal.
O processo, romance, conta a história de Josef K., personagem chave que tem seu destino mudado ao acordar numa manhã comum e, sem motivos conhecidos, é preso e sujeita-se a um processo sob crime não revelado. A ação desenvolve-se num clima de sonhos e pesadelos misturados a fatos corriqueiros, beirando à irrealidade e à loucura.
“Alguém devia tercaluniado a Joseph K., pois sem que ele tivesse
feito qualquer mal, foi detido certa manhã. A cozinheira da senhora
Grubach, sua hospedeira, que todos os dias às oito horas lhe trazia o
desjejum, não se apresentou no quarto de K. nesta manhã. Jamais
acontecera isso. [...] [K.] fez soar a campainha. Imediatamente
bateram em sua porta, e no dormitório entrou um homem aoqual K.
jamais vira antes naquela casa” (KAFKA, 1979, p.37)
O júri responsável pelo crime de Josef K. é inerente à sociedade. Porém ele, Josef K., não insiste em indagar o porquê da sua culpa, ao longo do processo carrega a sua falta – condição essencial do ser, a qual não necessita justificativa. Para Kafka a pior prisão é a consciência. Logo, o Estado é quem apenas controla, nãodistribui justiça.
O Estado é mostrado como corrupto e burocrático e as leis não estão a serviço da justiça, mas de algum outro tipo de Poder. Quando Josef K. tenta um contato com o judiciário, não obtém sucesso pois descobre que seu processo é mais um dentre vários outros, o que lhe acarretaria longa espera. O processo em toda sua complexidade não lhe parecia verdadeiro, os acusadores e astestemunhas tinham atitudes duvidosas e absurdas.

“Pois bem, como K. já o comprovara por experiência própria, a organização inferior da justiça não era inteiramente perfeita; havia empregados esquecidos de seus deveres e venais que representavam de certo modo lacunas na rigorosa ordenação da justiça; e dessas lacunas eram as que se aproveitavam muitos advogados; subornavam aalguém, espiavam (...)” (KAFKA, 1979, 128-129)
A primeira observação que se faz de O processo é que há uma crítica ao sistema judiciário. Naquela época imperava-se um Estado autoritário e havia lutas constantes pelo poder, já que a primeira Guerra Mundial proporcionava ações arbitrárias pelas autoridades. Pode-se perceber nesta obra não apenas o judiciário despótico, a burocracia e a justiçafalhas – percebe-se que há um paralelo entre a vida de Josef K. e as nossas vidas, leitores, personagens que estão fora do livro. Sofremos alienações, somos controlados grande parte do tempo, não conseguimos achar respostas frente a este sistema fechado e doutrinador que vivemos. A todos os momentos nos lançam informações e acusações sem que tenhamos tempo e chances de saber o porquê.
O personagemprincipal desta obra coloca-se diante de um problema de caráter finalista: “da direção e sentido de sua existência que culmina com a morte”. O personagem Kafkiano vive numa condenação permanente, é uma culpa inexplicável projetada na sua vida por uma autoridade impessoal. Há uma luta constante contra o absurdo finalismo da existência. Esta luta é expressa no seu diário:
“Eu luto mais que...
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