O mito do colapso do poder americano

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  • Publicado : 12 de fevereiro de 2013
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O Mito do Colapso do Poder Americano

Toda análise da conjuntura internacional supõe uma visão teórica de longo prazo a respeito do tempo, do espaço e do movimento histórico do sistema mundial.
Fiori afirma que a crise da década de 1970 não enfraqueceu o poder americano, pois todos os sinais que foram apontados como indicadores de seu declínio se transformaram no seu contrario. Foi tambémna década de 70 que ocorreu a crise final do Sistema de Bretton Woods, e o padrão dólar-ouro foi substituído pelo dólar flexível que permitiu aos Estados Unidos um poder monetário e financeiro internacional sem precedente na historia da economia.
Fiori afirma também que as dificuldades políticas e econômicas americanas poderão se prolongar mais não significa o fim do poder americano, muito menosda economia capitalista. O que ocorre é que os Estados Unidos estão enfrentando uma crise de liderança das relações políticas imediatas com seus aliados e adversários. O declínio relativo dos norte-americanos não significa um colapso do seu poder e da sua supremacia mundial. Para o autor este declínio faz parte das transformações sistêmicas e estruturais em curso, com papel decisivo, que parte deuma teoria diferente que olha o sistema mundial como um universo em expansão continua, onde todos os Estados lutam pelo poder global. Ou seja, houve primeiro um aumento da pressão competitiva dentro do universo e depois uma grande explosão das suas fronteiras internas e externas. O aumento da pressão competitiva foi provocado pelo expansionismo de uma ou varias potencias lideres, e envolveu tambémum aumento do numero e da intensidade dos conflitos. E, a explosão expansiva que se seguiu projetou o poder destas unidades ou potencias mais competitivas para fora de si mesmas, ampliando as fronteiras do próprio universo.
Até o fim do século XVIII, o sistema mundial moderno restringia-se aos Estados europeus e suas colônias americanas, e foi só após a grande explosão expansiva, no século XIXque ele passou a incluir a África e a Ásia dentro de suas fronteiras coloniais. Porém, foi só no século XX que o sistema interestatal se globalizou definitivamente. No sistema interestatal, toda grande potencia esta obrigada a seguir expandido o seu poder, mesmo que seja em períodos de paz, e se possível, até o limite do monopólio absoluto e global. A própria potencia líder ou hegemônica precisaseguir expandindo o seu poder de forma continua, para manter sua posição relativa. Segundo Fiori o hegemônico precisa da competição e da guerra, para seguir acumulando poder e riqueza. Trata-se de um universo que precisa de guerra e das crises para poder se ordenar e estabilizar suas relações e estruturas hierárquicas.
A pressão competitiva dos seus Estados-Economias nacionais criou impérios einternacionalizou a economia capitalista, mas nem os impérios nem o capital internacional eliminaram os Estados e as economias nacionais. A ideia de uma moeda internacional, vista como um bem publico esconde o fato de que todas as moedas são nacionais, e um instrumento de poder na luta pela supremacia econômica internacional. Neste sentido, pode-se afirmar que não existe capital nem capitalismosem a mediação nacional do poder, do território e da moeda.
A expansão continua do poder imperial americano segue sendo decisivo para entender a conjuntura geopolítica internacional. Depois dos atentados de 11 de setembro, entretanto a estratégia imperial dos Estados Unidos ficou mais visível, por que assumiu uma postura explícita, bélica e unilateral.
Fiori aponta que a expansãonorte-americana começa antes dos EUA tornarem-se hegemônico. O que chama a atenção é que essa hegemonia era benévola e, com a crise dos anos 70 passou a adotar uma postura mais imperial.
O Oriente Médio transformou-se no epicentro dos principais conflitos da conjuntura internacional, e na região onde os Estados Unidos acumularam maiores revezes políticos e militares neste inicio do século XXI. A Europa se...
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