O estado novo e o dip

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  • Publicado : 21 de julho de 2011
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A ação da comunicação social funciona como legitimadora da sociedade capitalista, pois amplia a eficácia da ideologia dominante, aprovando e mantendo a estrutura sócio-econômica, sem a monopolização (mas de certa forma há, já que geralmente se trata de empresas privadas) e a opressão da oposição. Os meios de comunicação possuem essa ação por estarem intrinsecamente ligadas ao cotidiano dapopulação e assim a propaganda ideológica veicula normas sócias vigentes; aumenta o conformismo; omite oculta e afasta “questões básicas e contraditórias da estrutura social” , limitando a ação da população bloqueando uma avaliação crítica da sociedade, e que motiva ou origina uma passividade reconhecida no conformismo.
Entretanto, “o reconhecimento da efetiva influência” sobre a população não estáligada com a percepção de que o mesmo podem ser apreendidos de maneiras vagos ou inconsistentes, não obtendo o resultado desejado pelo veículo divulgador ou pelas forças sócio-políticas, e não objetivamente uma relação automática entre comunicação e efeito.
Há, portanto, uma seleção de padrões culturais, cenas e elementos, que para obter o efeito desejado, são repetidos e de forma dramática,assegurando a presença dos mesmos no cotidiano.
A historiadora Silvana Goulart tem como objetivo a análise dos processos, conjunturas e atores, no caso o Estado, que conduziram a monopolização dos meios de comunicação social entre 1930 e 1945 e que procurou eliminar a contra-propaganda e difundir aspectos característicos do Estado Novo, como a unidade nacional, a harmonia social, o intervencionismoeconômico e a centralização política.
O Departamento de Imprensa e Propaganda, o DIP, tinha como função a centralização e coordenação da comunicação social do Estado Novo, objetivando a aceitação em relação ao novo regime político, implicando em uma imposição ideológica, que atingiu diferentes segmentos da sociedade.
Classes trabalhadoras
Às classe trabalhadoras urbanas, optava-se pelopopulismo que anulava a problemática de classe e salientava um Estado providencial que garantiria os direitos reservados aos esforços dos trabalhadores; corporificava a ação do Estado em Getúlio Vargas como “pai onipresente que tudo vê e tudo compreende” e apontava para a existência de uma sociedade homogênea e sem diferenças sociais .
A eficácia deste discurso se deu, prioritariamente, pelo sentidoque o mesmo tinha, em função dos elementos populares, em que se articulou. À essa manipulação, seleção e introjeção de elementos, pretendia-se também, uma elevação intelectual e moral equivalente à crescente industrialização e urbanização. Goulart afirma que: “(...) o DIP exerceu uma função educativa e pedagógica: buscou inculcar na população um modo de ser, um padrão de comportamento público eprivado em que o produtivismo se destacava como um dos principais valores a serem incorporados. Desse modo, os meios de comunicação reiteravam a dignidade do trabalho como fator de elevação moral e humana.” .
Classes dominantes
A política do Estado Novo pretendia conciliar diferentes interesses, e portanto a utilização da comunicação social também se deu nas classe dominantes. Fazia-se necessáriaa neutralização da oposição das oligarquias agro-exportadoras e das classes médias, que não encontravam benefícios na centralização política e a intervenção econômica do Estado Novo; acalmar a camada industrial que se sentia ameaçada com a política populista e reassegurar a ordem social e a acumulação capitalista; e por fim para as camadas de cunho filosófico e político, a exposição da inovaçãodo regime, frente a falência do liberalismo, que buscava no passado uma vocação nacional para um política centralizadora.
A ação centralizadora do Estado, prezava não somente a iniciativa privada, mas também um ideal de justiça que assegurava a sociedade contra revoltas sociais. Assim, a nova democracia instituída pelo Estado Novo, perante a classe dominante, tinha como discurso a valorização...
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