A geografia critica brasileira

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A GEOGRAFIA CRÍTICA BRASILEIRA: REFLEXÕES SOBRE UM DEBATE RECENTE[1]

THE BRAZILIAN CRITICAL GEOGRAPHY: REFLECTIONS ABOUT A RECENT DEBATE


Luis Lopes DINIZ FILHO

Professor do Departamento de Geografia da UFPR
diniz@ufpr.br

RESUMO: O objetivo deste artigo é fazer algumas reflexões acerca dos debates travados durante o I Colóquio Nacional de Epistemologia da Geografia sobre a tendênciade análise geográfica conhecida como a “Geografia Crítica”. Fundamentalmente, retomam-se os pressupostos essenciais dos trabalhos pioneiros dessa corrente, publicados nos anos 70 e 80, para estabelecer a utilidade da expressão “Geografia Crítica” no contexto histórico contemporâneo, no qual se faz urgente discutir tais pressupostos de forma mais profunda.

ABSTRACT: The objective of thisarticle is to make some reflections of the debates made during the 1st National Colloquium of the Geographical Epistemology about the geographical analysis known as the “Critical Geography”. Fundamentally, the essence of the pioneer works is taken of this current, published in the 70’s and 80’s, to establish the utility of the expression “critical geography” in the historical contemporary context, inwhich is urgent to discuss these presuppositions in a deeper way.

EPISTEMOLOGIA – GEOGRAFIA – MARXISMO – IDEOLOGIA – TEORIA
EPISTEMOLOGY – GEOGRAPHY – MARXISM – IDEOLOGY – THEORY


Em novembro de 2001, o Departamento de Geografia da UFPR organizou uma mesa redonda sobre o tema “Geografia Crítica”, a qual fazia parte do I Colóquio Nacional de Pós-Graduação em Geografia. Tratou-se de umainiciativa de grande importância, visto que, passados mais de vinte anos desde que surgiram os primeiros trabalhos de Geografia inspirados em idéias “críticas” ou “radicais”, faz-se necessário efetuar um balanço sobre os resultados das pesquisas realizadas sob influência dessas idéias.
Visando estimular a continuidade dessa iniciativa, o presente artigo tem como objetivo refletir sobrealgumas discussões realizadas durante a mesa redonda e os textos redigidos pelos debatedores sobre o tema proposto com o fim de estabelecer a necessidade de uma reflexão mais abrangente e aprofundada sobre a Geografia Crítica do que aquelas que têm sido realizadas (com pouca freqüência, diga-se de passagem) desde a década passada[2].
Sendo assim, é preciso colocar que o sentido da expressão“Geografia Crítica” foi posto em questão durante os debates, assim como a própria existência de uma corrente de pensamento geográfico que pudesse ser designada dessa forma. Afirmou-se até que a proposta dos geógrafos que há cerca de vinte anos empreenderam uma renovação profunda da Geografia brasileira nunca foi a de estabelecer uma nova vertente de análise geográfica designada pelo termo “crítica”,pois o que havia de comum nos trabalhos produzidos entre o final dos anos 70 e início dos 80 seria apenas “uma certa criticidade”, isto é, um espírito crítico na análise da produção geográfica realizada até então e dos problemas da sociedade capitalista. No texto que preparou para a mesa redonda, Ruy Moreira (2002: 47) destacou que havia uma multiplicidade de expressões que foram aplicadas paraindicar as propostas de reformulação da Geografia apresentadas naquela época, tais como “Renovação Geográfica” – a qual o próprio Moreira vem utilizando nos últimos anos –, “Geografia Radical”, “Libertária”, entre outras. Desse modo, “Geografia Crítica” seria tão-somente o mais usual dos rótulos formulados para designar a mudança que vinha sendo operada na maneira de produzir conhecimento geográficoaté aquela época, sem entretanto configurar uma proposta explícita e consistente de edificação de uma nova corrente da Geografia.
Este é um ponto que necessita sem dúvida ser discutido, pois os geógrafos contemporâneos há muito se habituaram a ler e escrever expressões como “Geografia Crítica ou Radical” antecedidas do artigo “a”, o que sugeria existir ou estar em construção uma vertente...
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