A carne

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Apresenta A Carne, de Júlio Ribeiro
Fonte: RIBEIRO, Júlio. A Carne. São Paulo: Martin Claret, 1999. (A Obra Prima de Cada Autor) Texto proveniente de: A Biblioteca Virtual do Estudante A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo Permitido o uso apenas para fins educacionais. Texto-base digitalizado por: Neucírio Ricardo de Azevedo – Goiânia/GO Este material pode ser redistribuídolivremente, desde que não seja alterado, e que as informações acima sejam mantidas. Para maiores informações, escreva para . Estamos em busca de patrocinadores e voluntários para nos ajudar a manter este projeto. Se você quer ajudar de alguma forma, mande um email para e saiba como isso é possível. A Carne Júlio Ribeiro Ao Príncipe do Naturalismo, Emílio Zola. Aos meus amigos: Luiz de Mattos, M.H. deBittencourt, J.V. de Almeida e Joaquim Elias; ao distinto fisiólogo Dr. Miranda Azevedo

Brasileiro

O.D.C. Júlio Ribeiro

A. M. Emile Zola Je ne suis pas téméraire, je n’ai pas la prétention de suivre vos traces; ce n’est pas prétendre suivre vos traces que d’écrere une pauvre étude tant soit peu natulaliste. On ne vous imite pas, on vous admire. “Nous nous échauffons, dit Ovide, quand le dieuque vit en nous s’agite”: eh bien! Le tout petit dieu qui vit en moi s’est agité, et j’ai écret La Chair. Ce n’est pas l’Assommoir, ce n’est pas la Curée, ce n’est pas la Terre, mais, diantre! Une chandelle n’est pas le soleil, et pourtant une chandelle éclaire. Quoi qu’il en soit, voici mon oeuvre. Agréerez-vous la dédicace que je vous en fais? Pourquoi pas! Les rois, quoique gorgés derichesses, ne dédaignent pas toujours les chétifs cadeaux des pauvres paysans. Permettez que je vous fasse mon hommage complet, lige, de serviteur féal en empruntant les paroles du poète florentin: Tuduca, tu signore, tu maestro. St. Paul, le 25 janvier 1888 Jules Ribeiro.

Capítulo I O doutor Lopes Matoso não foi precisamente o que se pode chamar um homem feliz. Aos dezoito anos de sua vida, quandoapenas tinha completado o seu curso de preparatórios, perdeu pai e mãe com poucos meses de intervalo. Ficou-lhe como tutor um amigo da família, o coronel Barbosa, que o fez continuar com os estudos e formara-se em direito. No dia seguinte ao da formatura, o honesto tutor passou-lhe a gerência da avultada fortuna que lhe coubera, dizendo: - Está rico, menino, está formado, tem um bonito futuro diantede si. Agora é tratar de casar, de ter filhos, de galgar posição. Se eu tivesse filha você já tinha noiva; não tenho, procure-a você mesmo. Lopes Matoso não gastou muito tempo em procurar: casou-se logo com uma prima de quem sempre gostara e junto à qual viveu felicíssimo por espaço de dois anos. Ao começar o terceiro, morreu a esposa, de parto, deixando-lhe uma filhinha. Lopes Matoso vergou àforça do golpe, mas, como homem forte que era, não se deixou abater de vez: reergueu-se e aceitou a nova ordem de coisas que lhe era imposta pela imparcialidade brutal da natureza. Arranjou de modo seguro seus negócios, mudou-se para uma chácara que possuía peno da cidade, segregou-se dos amigos e passou a repartir o tempo entre o manusear de bons livros e o cuidar da filha. Esta, graças às qualidadesda ama que lhe foi dada, cresceu sadia e robusta, tomando-se desde logo a vida, a nota alegre do eremitério que se constituíra Lopes Matoso. Visitas de amigos raras tinha ele, porque mesmo não as acoroçoava: convivência de fama não tinha nenhuma. Leitura escrita gramática aritmética, álgebra, geometria, geografia, história, francês, espanhol, natação, equitação, ginástica, música , tudo issoLopes Matoso exercitou a filha porque em tudo era perito: com ela leu os clássicos portugueses, os autores estrangeiros de melhor nota, e tudo quanto havia de mais seleto na literatura do tempo. Aos quatorze anos Helena ou Lenita, como a chamavam, era uma rapariga desenvolvida, forte, de caráter formado e instrução acima do vulgar. Lopes Matoso entendeu que era chegado o tempo de tomar a mudar de...
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