Vida para consumo

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  • Publicado : 27 de junho de 2011
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Introdução
Bauman inicia seu livro descrevendo alguns casos acerca dos hábitos altamente mutáveis da sociedade. A mania das redes sociais que supriu necessidade de mostrar ao mundo, mesmo que seja ao reduzido número de amigos, o que se sente, o que se faz e o que se pensa a todo o momento; a facilidade na seleção de clientes em potencial, poupando tempo e aumentando a produtividade defuncionários; e um programa de imigração seletiva, restringindo a permissão de entrada apenas a pessoas inteligentes e que realmente fossem necessárias aos interesses do país receptor.
Por mais diferentes que pareçam, as pessoas envolvidas em cada um desses três casos podem ser interligadas por um objetivo em comum: todas elas buscam possuir a melhor imagem pessoal possível para que possam ser aceitas,seja no seu ciclo social, no mercado coletivo ou mesmo em novos países. Sendo assim, elas precisam remodelar a si mesmas como mercadorias visando chamar atenção suficiente para atrair demanda.
Vários pensadores ao longo de suas épocas relataram a transição da sociedade de produtores para a sociedade de consumidores. Siegfried Kracauer e, oitenta anos depois, Germaine Greer relataram a importância daaparência para pessoas de diferentes sociedades, todas com o mesmo motivo: medo de se tornar obsoleto e cair em desuso, o que gerou a necessidade de manter-se competitivo na sociedade. E meio século após Kracauer, Jürgen Habermas, apresentou a “comodificação do capital e do trabalho” como a principal função do Estado capitalista. Segundo ele, a reprodução da sociedade capitalista é obtida atravésde transações entre o capital no papel de comprador e o trabalho no de mercadoria, então o Estado capitalista deve se certificar de que essas transações resultem com regularidade em compra e venda.
Contudo, durante a transição da sociedade de produtores para a de consumidores, as tarefas envolvidas na comodificação e recomodificação do capital e do trabalho passaram por processos simultâneos dedesregulamentação e privatização contínuas, profundas e aparentemente irreversíveis, embora ainda incompletas.
Na maioria dos países, o capital é bastante estimulado pelos cofres governamentais para crescerem e se desenvolverem. Isto é, o governo oferece incentivos às empresas mantendo sua solvência e também baixos custos de mão-de-obra, tudo isso com dinheiro público. Já a tarefa darecomodificação do trabalho foi a mais afetada pelos processos da desregulamentação e da privatização. O governo praticamente excluiu essa tarefa de sua responsabilidade direta, transferindo-a para os próprios indivíduos. Isso significa que as pessoas, com recursos próprios, devem buscar se desenvolver, tornando sua mão-de-obra mais atrativa ou pelo menos com o mesmo valor mercadológico, objetivando suapermanência no mercado de trabalho.
Arlie Russel Hochschild descobriu e documentou uma tendência que chamou de “novo espírito do capitalismo”. Segundo essa nova tendência, os empregadores passaram a preferir empregados conhecidos como “chateação zero” – que seriam multifuncionais, descomprometidos, flexíveis, e que se desligassem da empresa quando não fossem mais necessários, sem queixas nem processos -em vez daqueles especializados e submetidos a treinamentos focalizados.
O mercado de trabalho é um dos muitos mercados de produtos em que se inscrevem as vidas dos indivíduos. O autor diz que o jogo do mercado é apresentado por três regras: a primeira prediz que todo produto é vendável e visa ser consumido; a segunda, que esse consumo se vincula a satisfação de desejos; por fim, o valor a serpago é dependente direto da confiabilidade da promessa de satisfação e da intensidade de desejos.
A sociedade de consumo tem como ponto principal os encontros de potenciais consumidores com os potenciais objetos de consumo. O grau de soberania em geral atribuído ao sujeito consumidor é questionado e posto em dúvida freqüentemente. O retrato desses consumidores, segundo Don Slater, varia de...
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