Resumo cap 10 e 11 os donos do poder

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pag 57 até 71

Depois de concluída a obra centralizadora, a eleição de um deputado acontecia de manobras na corte. O pretendente deveria ser filho de um político influente, senador, ministro ou conselheiro de Estado, ou protegido de uma dessas figuras dominantes. O cargo público, sobretudo o de juiz, foi o passo inicial, ao ponto de, num período, a deputação se compor, na maior parte, demagistrados.
O ato eleitoral obedecia a um regente local: o presidente de província.
O proprietário de terras, capaz, pela riqueza, de atuar autonomamente, não dispunha de meios de controle da máquina, inacessível, pela sua extensão e centralização, ao domínio de baixo para cima.
Além disso, o financiamento do aparelho não estava ao seu cargo, senão que se fazia por conta do governo, com osempregos públicos.
Os fazendeiros, quando entravam na partilha, recebiam o favor dos poderes oficiais, que, por esse meio, se ligavam aos potentados locais, meros agentes da divisão das sobras no banquete. Depois de 1881, com a Lei Saraiva e, com a autonomia crescente da lavoura, mudam as regras do jogo. Cresce a influência local, já apta a recusar a indicação, embora incapaz de fazer prevaleceroutra, criada no distrito eleitoral. Afonso Celso, deputado de 1881 a 1889, desde a primeira eleição sob a Lei Saraiva até à queda da monarquia, confessa que sua carreira deve-se exclusivamente ao patrocínio de seu pai, o visconde de Ouro Preto.
Ouro Preto, doze anos depois, não terá a mesma autonomia de Rio Branco, quando se dispôs a eleger o filho: os problemas não se limitam à deliberação doschefes, na corte. Havia um fator novo, em ascensão, a influência local, personificada no chefe local, um coronel pai do futuro coronelismo o coronel Gentil José de Castro, "valente cabo eleitoral, relacionado com todo o distrito, onde contava numerosos parentes.
A peregrinação eleitoral forma os vínculos do futuro deputado, não ainda por escolha, mas por adesão, homologados na solidariedade aomando local, sem amor a programas, a propósitos ou a reivindicações nacionais.
O auxílio oficial não podia ser dispensado, sob pena de condenar o candidato à derrota. O velho painel imperial conheceu, até à Maioridade, a busca da soberania nas freguesias, nos municípios, nos juízes de paz. Daí se derramou, envolta no anseio democrático, a anarquia, a eleição demagógica.
A reação monárquica eliminoua localidade; o governo, com seus delegados e juízes, foi tudo: “não houve mais comício, nem a força e a violência deram a lei; substituiu-se a fraude, a corrupção e a coação das autoridades”. O governo, para o povo, não é o protetor, o defensor, a guarda vigilante de sua vontade e de seus interesses: mas o explorador, o perseguidor. Um comando político ativo e violento submete uma sociedadepassiva e atemorizada.
Na última década do século, uma transação, provisória e de resultados tardios, aproximando o mando do povo, para, a título de representá-lo, importe, pelo compadrio ou pelo favor, pelo bacamarte ou pela miséria, o caminho da submissão. A anarquia sucede a ordem, ao tumulto do país real a paz fictícia do país oficial, depois, uma transação tão governamental como a outra."cabresto" não desapareceu, mas alargou-se para muitas mãos. Só uma coisa permaneceu: a dependência do eleitor, mais ávido de mercês e não mais autônomo.
Os partidos amoldaram-se aos tempos novos, amenizando a compressão para adequá-la a "arranjar" empregos, favores e benefícios para os cabos eleitorais, as influências locais.
Entre a República e o Império apenas uma diferença: a mulher nua, deformas provocantes, a verdade eleitoral ou a soberania nacional das caricaturas, sai das urnas de 1884 vestida com a malha fina da dissimulação; em 1902 ela, depois de andar alguns passos, receberá o manto espesso, aguardando a depuração.
O predomínio do pudor, legitimado no Poder Moderador, a centralização articulada, na corte, pela vitaliciedade, o voto manipulado não criam, como entidades...
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