Resumo - as dores do parto

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Resumo “As dores do parto” – Darcy Ribeiro

O
 Brasil
 foi
 regido
 primeiro
 como
 uma
 feitoria
 escravista, habitada
 por 
índios
nativos 
e 
negros 
importados. Depois como um consulado, onde o povo sublusitano vivia como um proletariado externo dentro de uma possessão estrangeira. As aspirações de seu povo jamais foram levadas em conta, por só haver interesse no enriquecimento daMetrópole, ou seja, só era digno de atenção e zelo interesses da feitoria. O que estimulava o aumento da força de trabalho escravo, por ser o que gerava lucros através do próprio trabalho ou da compra e venda destes. Nunca 
houve
 no país 
um
 conceito
 de 
povo,
 englobando e atribuindo direitos aos trabalhadores. 
Nem
 mesmo 
o 
direito 
elementar
 de 
trabalhar 
para
 nutrir‐se, 
vestir‐se 
e 
morar.
A
sociedade 
era, 
de 
fato,
 um
 mero 
conglomerado multiétnico, ativado pela intensa mestiçagem pelo
 genocídio
 mais
 brutal
 na
 dizimação
 dos
 povos
 tribais
 e
 pelo
 etnocídio
 radical
 na
 descaracterização
 cultural
 dos
 contingentes 
indígenas
 e 
africanos.

Alcançam‐se, 
assim, 
paradoxalmente, condições
 ideais
 para
 a
 transfiguração
 étnica
 pela
 desindianização
 forçada
 dos
índios
 e
 pela desafricanização
 do negro, que perdida a sua identidade, se veem sentenciados a ter uma nova etnicidade que englobe todos eles. Assim
,

 índios, africanos, mestiços, que perderam sua cultura e passam a se multiplicar com os brancos. Tornam-se uma massa humana sem identidade ou com esta apropriada dos brancos.
O 
núcleo 
luso, 
formado 
por 
muito
 poucos
 portugueses 
que 
aqui
entraram
 no
 primeiro
 século,
 operacionava
 sua
 espoliação
 econômica,
 querendo
 impor
 a
 todos
 sua
 fôrma
 étnica
 e
 sua
 forma
 civilizatória.
 Ocorre,
 surpreendentemente,
 que
 esse 
povo
 nascente,
 em
 lugar
 de
 uma
 Lusitânia
 de
 ultramar,
 se
 configura 
como
 um 
povo
 em 
si, 
que
 luta
 desde
 então 
para tomar
 consciência
 de
 si 
mesmo
 e 
realizar 
suas
 potencialidades.
Essa
massa
 de
 mulatos
 e
 caboclos, lusitanizados
 pela
 língua
 portuguesa
 que
 falavam,
 pela
 visão
 do
 mundo,
 foram
 modelando
 a
 etnia
 brasileira
 e promovendo sua
 integração,
 na
 forma
 de
 um
 Estado‐Nação.
 Estava
 já
 maduro
 quando
 recebe
 grandes
 contingentes
 de
 imigrantes
 europeus
 e
 japoneses,
 o
 que
 possibilitou
 ir
 assimilando
 todos
 eles
 na
 condição
 de
brasileiros
 genéricos.
Alguns,
 sobretudo
 japoneses,
 guardando
 marcas
 físicas
 indisfarçáveis
 de
 suas
 origens,
 têm,
 em
 consequência,
 certa
 resistência
 à
 plena
 assimilação ou
 ao
 reconhecimento
 dela
 quando
 já
 está
 plenamente
 cumprida.
 Não
 deixam
 nunca
de 
ser 
nisseis,
 porque
 trazem 
isso 
na
 cara.
 Outros
 imigrantes,
 como
 os
 italianos,
 os
 alemães,
 os
 espanhóis,
 foram
mais
 facilmente
 assimilados,
 sendo
 sua
 condição
 de
 brasileiros
 plenamente
 aceita.

Os 
árabes 
são 
os 
imigrantes
 mais
 exitosos, 
integrando‐se
 rapidamente
 na
 vida
 brasileira,
 participando
 das
 instituições
 políticas
 e
 alcançando
 posições
 de
governo. 

Sem perceberem
 o 
fato 
de
 que 
seu 
êxito 
se 
explica,
 em grande parte, pelo preconceito embutido neles, que os desligade qualquer obrigação familiar ou com a sociedade e se concentra somente no esforço em enriquecer.
Ainda, com a tendência de considerar que os brasileiros pobres são responsáveis por sua pobreza e que o fator racial é que afunda na miséria os descendentes de índios e negros. Afirmam também que a religião católica e a língua portuguesa contribuíram para o subdesenvolvimento brasileiro. Ignorandoo fato de que chegaram no país através de crises de suas pátrias e que encontraram aqui um país formado, com fronteiras fixadas e regendo por si só seu destino.
Ao contrário do que ocorre com outros países, no Brasil, não existe nenhum grupo étnico que tenha ideais separatistas e estejam dispostos a se formar em quistos, devido a sua grande variedade e mistura das origens raciais e...
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