Psicologia na contemporaniedade

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  • Publicado : 8 de abril de 2013
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Psicologia e contemporaneidade: práticas profissionais na sociedade de controle

1. Introdução:

A marca distintiva das sociedades capitalísticas contemporâneas é a complexidade. A velocidade das transformações que se sucedem no período atual assim como a simultaneidade das mesmas faz com que uma análise crítica do período se constitua em um desafio. Da obra “Microfísica do poder” de MichelFoucault, é possível extrair um referencial para a análise do contemporâneo: para o autor, as sociedades são permanentemente atravessadas por relações de poder, múltiplas e diferenciadas, nas quais toda vida em sociedade se inscreve. Tais relações podem ser compreendidas em seu conjunto pela noção de regimes de poder, vigentes a cada período histórico.
Foucault caracterizou as sociedadesocidentais do século XX como disciplinares, ou seja, inscritas no regime de poder disciplinar. A disciplina, para ele, compreende a preparação infinita para o trabalho e comporta uma sucessão de fases, vividas nas diferentes instituições que o indivíduo frequenta ao longo da vida. Seguindo a vertente da análise crítica da contemporaneidade, Gilles Deleuze vai propor que vivemos a transição para um novoregime de poder por ele denominado Sociedade de Controle e que tem como uma de suas características visíveis o exercício de poderes que se difundem pela sociedade sem depender do esquadrinhamento social operado pelas instituições. Deleuze considera que os meios de comunicação se constituem no instrumental apropriado para o exercício do poder nessas condições.
Ao mesmo tempo em que assistimos aascensão dos meios de comunicação na produção da subjetividade em escala populacional, observamos também que as instituições do antigo regime de poder disciplinar sobrevivem ainda que dando sinais de disfuncionamento. Assim, ganha visibilidade neste contexto a crise das instituições de diferentes tipos, incluída aí a família. É neste cenário complexo e marcado por novas formas de exercício do poder epor transformações aceleradas nas instituições que cabe questionar a inserção da psicologia e as funções que ela adquire. Desde a obra de Foucault, a psicologia enquanto ciência pode ser considerada um saber-poder e, como tal, produz efeitos sobre a vida dos sujeitos. Então, a psicologia não está fora das relações de poder. Ao contrário, ela ocupa um lugar de destaque, executando procedimentos depoder bem específicos: a separação entre o normal e o patológico, a seleção para ocupação de postos de trabalho e a preparação continuada de trabalhadores, dentre outros.
Mas, para além destas práticas conhecidas, quais novas funções estão sendo incorporadas às práticas profissionais dos psicólogos? Uma delas, exercida pela psicologia na sua vertente clínica, diz respeito à abertura do espaçofamiliar e profissional através da difusão da prática confessional, criando condições para verificação e normalização daquilo que acontece no interior das moradias e empresas. Isso pode ser considerado um objetivo estratégico para os poderes na sociedade de controle.

2. Desenvolvimento da Investigação

Uma das questões recorrentes nos debates da psicologia social diz respeito aos processos detransformação social ou ainda aos modos pelos quais a mudança acontece numa determinada sociedade. Na vertente do pensamento marxista, amplamente utilizado na psicologia social, a transformação passa, de modo determinante, pela substituição do aparelho de Estado bem como pela quebra de um status quo comprometido com a manutenção de uma classe social no poder. Na contemporaneidade capitalista, aclasse dominante, ou seja, a burguesia, é aquela que coloca a seu serviço o aparelho de Estado e qualquer mudança social depende da reversão deste processo.
Sem perder de vista a hegemonia da classe que está hoje consolidada, Michel Foucault desloca a problemática da mudança social, retirando o foco colocado no aparelho de Estado e buscando, assim, pensar a história de um outro modo. O autor...
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