Mulhers com amis de 50 anos

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 10 (2474 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 11 de dezembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
A morte como transcendência em Amor de Perdição
de Camilo Castelo Branco

Rosana Cássia Kamita

Amor de Perdição é uma novela passional, levando em conta a forma com que agem seus personagens – que seguem cegamente os impulsos do coração – , o final trágico e a atmosfera dramática que permeia toda a obra. Levando-se também em conta o fato de a obra estar inserida no contexto do Romantismo, aoqual apresenta-se como excelente exemplo.
Na época do Romantismo uma forma de sentir concretizou-se no plano literário e artístico: sentimentos conflituosos, de entusiasmos e paixões desmedidas e ilimitadas. Se há impedimentos ao amor, igualmente há uma saída para que ele triunfe, mesmo no caos. Essa saída é a morte, transcendência do amor não possibilitado em vida. O que seria o amor na vidaperante a eternidade do amor na morte?
Nesta novela, as intrigas constroem-se em torno de três elementos fundamentais: a família, o casamento e o amor. O casal luta pela concretização de seus sentimentos, passando por todo tipo de provações, mas com a permanente idéia de que sua união através do amor poderá ser conseguida na morte, se esgotados todos os recursos em vida. Esse é o amor ideal, verdadeiro,ilimitado, objeto de trabalho dos românticos.
Chama a atenção a permanente vinculação do amor à idéia da morte, chegando-se mesmo a concluir por sua necessidade em determinado contexto narrativo, quando os caminhos se estreitam de tal forma que outra escolha não se faz possível.
Inicialmente temos o triângulo amoroso formado por Teresa, Simão e Baltasar. Depois, a formação de outro triânguloamoroso: Teresa, Simão e com a presença de Mariana como elemento de ligação entre o amor de Simão e Teresa. Mesmo amando Simão, Mariana não rivaliza com Teresa, muitas vezes auxiliando o casal apaixonado, intermediando a correspondência entre eles. Adiante-se que todos eles terão o mesmo final trágico: a morte.
No entanto, há problemas para a concretização do amor de Simão e Teresa: a rivalidade entreas famílias e o comprometimento de Teresa em casar-se com seu primo Baltasar: "Por parte de Baltasar Coutinho a paixão inflamou-se tão depressa, quanto o coração de Teresa se congelou de terror e repugnância."
No capítulo II há a primeira menção à morte como solução, num bilhete escrito por Teresa a Simão: "Não me esqueças tu e achar-me-ás no convento, ou no Céu, sempre tua do coração, e sempreleal." Até mesmo o pai de Teresa, no capítulo IV, prefere a morte como solução ao impasse de sua recusa ao casamento com o primo Baltasar: "– Hás de casar! Quero que cases! Quero...Quando não, serás amaldiçoada para sempre, Teresa! Morrerás num convento!"
No capítulo V, Simão é apresentado a Mariana, que lhe vaticina: "– Não sei o que me adivinha o coração a respeito de vossa senhoria. Algumadesgraça está para lhe suceder..."
O ferrador João da Cruz, pai de Mariana, passa a ajudar Simão em sua empreitada por amor. Conta-lhe que Baltasar o queria contratar para matá-lo.
No capítulo VII, Teresa é recolhida ao convento de Monchique, no Porto, e tem contato com a realidade do convento. Teresa começa a arrefecer e acreditar que dificilmente conseguirá realizar seu desejo de se unir a Simão.
Nocapítulo VIII, Mariana delineia a morte como solução para determinados conflitos. Num diálogo com Simão ela assim diz, referindo à possibilidade de seu pai ser condenado por um crime: "Teria treze anos; mas estava resolvida a atirar-me ao poço, se ele fosse condenado à morte. Se o degredassem, então ia com ele; ia morrer onde ele fosse morrer." Neste mesmo diálogo Mariana relata a Simão o sonhoque tivera com ele: "[...] eu estava a chorar porque via uma pessoa muito minha amiga a cair numa cova muito funda..."
Simão ama Teresa, que cada vez lhe parece mais distante. Provavelmente essa distância que existe para a concretização de seu amor só faz aumentar ainda mais seu sentimento. Percebe-se a insistência sobre a inseparabilidade do prazer e da dor, como se para amar tivesse também que...
tracking img