Metodologia academica

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  • Publicado : 11 de dezembro de 2012
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Até alguns anos atrás, a África do Sul vivia uma das mais vergonhosas chagas humanas: o apartheid, isto é, a maior parte da população, a negra, não era reconhecida como membro de direito da sociedade sul-africana. Como estaria, hoje, aquele povo, depois que dois governos negros, o de Mandela e de Thabo Mbeki, assumiram o poder? Alberto Chiari dá algumas pinceladas tristes de uma realidade sombriae fracassada
exta-feira à tarde, o centro de Johannesburg, antiga cidade da opulência e do ouro, com seu cinco milhões de moradores, vive o fim de uma semana de trabalho. Entre a rodoviária de Gandhi Square e a praça, surge uma massa de gente. Dança-se, bebe-se, cortam-se barba e cabelos nos barbeiros ambulantes, compra-se um pouco de carne nas muitas bancarelas de açougueiros... desde que apessoa não tenha pele clara. Se tiver pele clara, sua carteira corre o risco de ser roubada. A noite torna-se obscura, os prédios ficam abandonados, as lojas bem trancadas com as vidraças estouradas até os primeiros andares. “A máfia nigeriana e a má vida local já ditam a lei neste lugar”, explica Willem, taxista, com rosto enrugado, olhos vivos que demonstram pouca vontade de brincadeiras. Émotorista, mas nesse lugar não está à vontade: “Os brancos estão abandonando o centro de Johannesburg e fogem para os bairros ricos, como Saudton ou Parktown”. Bairros de ricos, cada vez mais fortificados e fechados. Assim é o post-apartheid no antigo eldorado africano, com 28% do pib de toda a África.
O que assusta, hoje, é encontrar em todo lugar altos muros de defesa, rolos de arame farpado e avisosexplícitos: “Atenção! Resposta armada”. Agressões e tiroteios são problemas sérios na cidade; cartazes alertam os lugares onde, para entrar, é obrigatório declarar se está armado, como bibliotecas, escolas, aeroportos. Isso acontece em Johannesburg como em Pretoria, cidade do governo. Ao hospital Chris Hani Baragwanath, de Soweto, a cidade que foi teatro de revoltas anti-raciais, chegam duas milpessoas, em média, a cada ano, feridas por arma de fogo.







O mesmo acontece na Cidade do Cabo, meta turística, mas que não é exceção. Os luxuosos palacetes, com vista sobre o oceano, são praticamente fortalezas e vivem sitiados pela delinqüência. Todo mês, há denúncias de 100 a 145 arrombamentos, conforme dados da polícia. Outra desgraça são as gangues armadas que agem em pleno dia.Não somente os ricos e brancos são alvos dessa violência, mas toda a minoria abastada. Na África do Sul, do presidente Thabo Mbeki que sucedeu a Nelson Mandela em 1999, o desemprego é simplesmente endêmico: 40% da força trabalhadora está sem trabalho. Todos são atingidos, sobretudo, pretos e jovens. Por isso se mata até por 5 rand (2 reais). É perigoso mostrar objetos como relógios ou celulares.
Nasestradas que levam às famosas praias douradas do oceano, são registrados 108 assaltos a mão armada em cada cem quilômetros. Morre-se mais facilmente por fogo cruzado (27%) que por incidentes estradais (22%), não obstante a lei rigorosa que veta a posse de armas, a não ser por motivos justificados, e pune com penas de 25 anos de prisão. Apesar da severidade da lei, o número de armas que circulamno território é estimado em 4 milhões e meio, sendo que um número indefinido estaria escondido. O país não tem confiança no governo e nem as pessoas entre elas.
PEQUENAS ESPERANÇAS
Existem mais de duzentas associações que, nos últimos anos, trabalham para obter do governo medidas mais restritivas. “O ponto da questão é que o apartheid acabou no plano político, mas não no plano econômico” – dizJosé Lanzi, diretor da Scalabrini Development Agency,dos padres scalabrinianos, na Cidade do Cabo – e as gangues são a resposta. A África do Sul está num momento crítico de mudanças: é o pais mais desenvolvido do continente, mas não consegue eliminar as barreiras que dividem os diferentes segmentos da população e pode até regredir com prováveis choques tribais.
As novas eleições, as terceiras...
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