Modelo de fichamento

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FICHAMENTO TEMÁTICO (ou relatório de leitura temático)

1. BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico – o que é, como se faz. 13.ed. São Paulo: Loyola, 2002.

No capítulo I o autor trata dos mitos a cerca da língua portuguesa que estão presentes no preconceito lingüístico oito mitos a começar pelo mito da homogeneidade lingüística e unidade da língua portuguesa falada no Brasil, desconsiderandoas demais línguas faladas por todo o Brasil e sua diversificação. (p. 12 - 14 passim)
A seguir aponta o equivoco dos gramáticos tradicionalistas ao confundirem a norma de gramática com a língua. São distintas, uma é a representação de parte da língua, é um modelo das elites, que atende aos interesses destas classes que tem acesso a norma culta, e que é muito menor (em torno de 1/5) do que alíngua considerada em seu todo, retrata o autor com o exemplo mostrando um desenho de René Magritte, um cachimbo e abaixo do desenho, o desenhista escreveu “Ceci n’est pas une pine”. Ou seja, a representação do cachimbo não é o cachimbo a mesma analogia pode ser entendida para a distinção entre gramática e língua (p. 53). Outro equivoco, a manutenção do colonialismo
de Portugal, acreditando que anossa língua portuguesa seja a mesma lusitana, o que não é. Assim perpetuar este entendimento acaba por dissociar-nos da nossa língua mãe que não é o português de Portugal, dificultando nosso conhecimento do que deveria ser nossa língua culta que se distância da falada, real e viva: a língua portuguesa brasileira. Com isso somam-se a inabilidade das políticas educacionais, dos textos jurídicos quereproduzem as regras gramaticais da “corte” dificultando o acesso de quem não tem o conhecimento formal da língua, dos professores e dos meios de comunicação de massa que perpetuam este equivoco de que “português correto é o que se fala em Portugal”, reproduzindo suas normas gramaticais e desprezando a língua como um todo que é muito maior, mais abrangente do que a gramática (p. 20). Ou ainda, omito de que “Português é muito difícil” (p. 35).
Difícil por quê? Porque desconectado, preconceituosamente, da língua, real verdadeira, falada no Brasil. Então, no aprendizado formal, que é da norma gramatical, acaba por ser algo artificial que não provoca a mesma naturalidade da língua que se fala, portanto, por mais que se ensine “..assisti ao filme ...” (p. 36) o que se fala mesmo, enaturalmente, é assisti o filme. Isto se porque a língua é “viva”, se altera, esta suscetível as necessidades da comunidade que a fala.
Quando esse mesmo aluno puser o pé fora da sala de aula, ele vai dizer ao colega: ‘Ainda não assisti o filme do Zorro!’ Porque a gramática brasileira não sente a necessidade daquela preposição a, que era exigida na norma clássica literária de cem anos atrás, e que aindaestá em vigor no português falado em Portugal, a dez mil quilômetros daqui! É um esforço árduo e inútil, um verdadeiro trabalho de Sísifo, tentar impor uma regra que não encontra justificativa na gramática intuitiva do falante. (p. 36)

Conclui que mais vale o professor desenvolver a habilidade de expressão dos alunos do forçar a introdução de regras incoerentes que não são naturais no idiomapátrio.
Bagno faz uma interessantíssima colocação do ponto de vista jurídico: lembrar que a língua é um produto para quem presta serviços educacionais e de compreendê-la entre os bens jurídicos protegidos pelo CDC. (p. 39)
Continua o autor com o rol dos mitos e traz aquele de considerar que “as pessoas sem instrução falam tudo errado” (p.40). Explica que são fenômenos próprios dalíngua o rotacismo (craudia, chicrete etc); a palatalização (tsitsia no sudeste é sotaque; oitso no nordeste é arremedo de língua); lambdacismo (celveja, galfo etc), que acabam na verdade revelando puro preconceito de classe ou/e ignorância lingüística. Nada além disso. Nos alerta para este entendimento, aponta assim, nossas “feridas” sociais e os mecanismos de exclusão de que se pode valer o...
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