Milton santos o mundo do lado de cato vis

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ENTREVISTADO: WILLIAN SILVA MELO
IDADE: 27 ANOS

Willian conta em resumida entrevista, sua história de vida até os dias de hoje:
Izilda, mãe de dois filhos, um de doze anos, outro de nove anos, que precisava de cuidados especiais, por ter retardo mental, espera pelo terceiro filho Willian, que ia nascer quando ela se separou do marido Antônio, deixando as crianças sob seus cuidados edos avós paternos, Willian quando nasce tem o mesmo destino.
Nesse período Izilda trabalha como taxista em Brasília, e assim são seus dias, visitava os filhos duas vezes ao mês, e custeava o sustento das crianças. Não era fácil cuidar de três crianças, eles davam trabalho, Willian com oito anos já deixava claro a carência afetiva, demonstrava isso com atitudes rebeldes, a mãe se esforçava,mas o pai nunca se importou muito com os filhos, não oferecia apoio de pai, carinho e atenção.
Willian cresce, e o sentimento de revolta também, ele passa a pensar em uma maneira de conseguir as coisas materias que queria, opta pelo pior caminho, roubar para ter as coisas que sua rotina não proporcionava. Roubava as pessoas na rua, furtava objetos e dinheiro para comprar doces, acredite!
Comeste comportamento, fica difícil para os avós os criarem, e assim eles passam a mudar constantemente, hora na casa de tios e tias, hora com primos mais velhos, mas nunca com os pais. Essas mudanças, conta Willian, não permitem a ele estudar, ele aprende a ler com o irmão mais velho, interesse ele tinha, gostava de filmes, história em quadrinhos, e um dia se interessou por um livro e decide ler, “Estatuto da Criança e do Adolescente”, perfeito. Willian descobre então que as surras e maus tratos que ganhava como castigo da mãe, podem ter consequência, é aí que depois de levar uma surra por pegar dinheiro de sua mãe, ele chama a polícia, e assim, Izilda ficou presa por uma noite. O sentimento de revolta só crescia, ele estava errado por roubar, mas sabia que podia penalizar a mãe, era umaforma de protesto. Não foi uma única vez, pôs a mãe presa novamente. Com essa situação a mãe decide então trazer os filhos para São Paulo, e assim procurou o conselho tutelar, se orientou para institucionalizar os filhos. O mais velho de então dezoito anos vai morar com um amigo, o filho deficiente vai para uma instituição especializada, já Willian aos onze anos, é deixado em um abrigo paramenores, “ LAR DO MENOS DE CARAPICUÍBA”. Ele fala de um sentimento imenso de revolta, abandono, estava péssimo, ser deixado pela mãe, ele se perguntava: - Onde eu errei?
Willian não estava preparado para a convivência com outras crianças, e no segundo dia no Lar, se desentendeu com um garoto do abrigo, brigaram feio, assim ele foge pela cidade mesmo sem conhecer São Paulo, com o cair da noite, elese desespera, sente fome e frio, e percebe que se não voltar para o abrigo seriam, a rua, o inesperado e ele. Volta para o lar e é bem recebido, ele aceita o recomeço, ir a escola, uma vida como a da maioria das crianças, como já era alfabetizado, entrou na 4ª série, tudo ia bem, mas na 6ª série, é recusado por mau comportamento .
Esse comportamento sempre esteve ligado a questão do abandono,ele foi fazendo amigos e sempre errando, mas quando errava, logo justificava, era o abandono.
Para ele, uma simples tarefa do abrigo, como lavar banheiros, arrumação, entre outras, era tido como castigo, que hoje adulto, ele entende, que era uma forma de inseri-lo no mundo real.
Ele estava bem cuidado, tinha aulas de informática, atividades esportivas, inclusão social, mas a falta da mãe eralatente.
Aos dezesseis anos, ele entende o porquê da internação no abrigo, sabe que foi resultado de mau comportamento, e ao insistir com sua mãe que havia mudado, volta à Brasília e vai viver com a mãe.
Ele diz: “ - Entendo que errei, era uma criança problemática, porém, fui criado de uma forma diferente, de como a minha mãe esperava, e não consegui me adaptar aos costumes dela, a...
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