Mercado comum europeu

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  • Publicado : 4 de abril de 2013
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Crise no mercado comum europeu
Como ocorreu em fins de 2008, logo depois do estouro da crise do subprime, na esteira da quebra do banco de
investimentos norte-americano, Lehman Brothers, gerou-se recentemente uma discussão sobre os efeitos da crise atual, originada da recusa dos investidores de refinanciar as dívidas de países da Europa, sobre a economia brasileira. Embora ninguém haja afirmadode que se trata de uma marolinha, a maioria dos comentaristas brasileiros sustenta a tese de que o Brasil está convenientemente blindado, de modo que a economia nacional deverá ser pouco afetada pela crise atual. Infelizmente, contudo, os efeitos da crise sobre o país já se fazem sentir de forma expressiva e, apesar de não se tratar de um tsunami, nem por isso os prejuízos deverão ser mínimos,como supõe os otimistas de profissão.

Para começar, saliente-se que, embora já tenha atingido a economia global, causando a queda das bolsas de valores
mundo afora, assim como a redução do crédito e a “fuga para a liquidez”, a crise atual ainda pode atingir dimensões
impensáveis. Isto se deve, em primeiro lugar, às dimensões da dívida pública dos países da União Europeia, que superou € 10trilhões em outubro, sendo que, segundo dados do Deutsche Bank, as necessidades de refinanciamento da zona do euro totalizarão € 1,7 bilhão em 2012, correspondendo a 17,5% do PIB. Em segundo lugar, às expressivas perdas do sistema financeiro, que, segundo sustentam determinados analistas, chegariam a € 200 bilhões (US$ 264 bilhões) somente para os bancos dos países da Eurozona, caso houvesse uma reduçãode 25% na dívida dos PIIGS. Se a redução (haircut) for de 50%, as perdas irão para € 400 bilhões, ou 5% do PIB dessas economias. Em terceiro lugar, não somente às dificuldades naturais das lideranças europeias em chegar a um acordo para enfrentar o problema, em razão da Zona do Euro ser uma comunidade de dezessete países soberanos,
mas à predominância da visão ortodoxa, que crê possívelrestabelecer a capacidade dos países endividados para
honrar seus compromissos financeiros através de um ajuste recessivo. Caso essa visão – que reflete a concepção do
capital financeiro, tornada dominante desde da Era Thatcher- Reagan – continuar a prevalecer, impedindo que o Banco Central Europeu (BCE) lidere o processo de reciclagem da dívida soberana dos PIIGS, dificilmente a economia
globalizadadeixará de vivenciar uma ampliação desmedida da crise atual, de conseqüências imprevisíveis.

Como não poderia deixar de ser, uma das dificuldades envolvidas no desenho das políticas de reversão da crise
atual reside no seu diagnóstico. Para o pensamento conservador, na origem da mesma está a irresponsabilidade
dos governos dos chamados PIGS, por incluir Portugal, Itália, Grécia e Espanha(Spain, em inglês), em particular do
grego, que teria abraçado políticas populistas, recusandose a implementar políticas de equilíbrio orçamentário e
redução da dívida durante o período de “vacas gordas” da economia internacional, particularmente entre 2003 e 2007.

No entanto, como esclarece Martin Wolf, editor do Financial Times, “as condições de crédito fácil e de juros baixos na
primeiradécada produziram bolhas no mercado imobiliário e crescimento explosivo na tomada de empréstimos pelo se setor privado na Irlanda e na Espanha, captação exagerada de empréstimos pelo setor público na Grécia, declínios
na competitividade externa da Grécia, Itália e Espanha, e enormes déficits externos, na Grécia, Portugal e Espanha.

Quando os mercados financeiros entraram em pânico, os devedoressofreram uma ‘parada súbita’, o que causou
crises de liquidez e insolvência em cascata de países e bancos”. Por outro lado, como afirma o professor Belluzzo,
o problema estaria na subavaliação dos riscos durante o período de boom, de modo “tão logo o pânico deflagrado pela quebra do Lehman Brothers cedeu, saíram das sombras os estoques de dívida soberana acumulados na Europa durante o período de...
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