Marcuse - a grande recusa

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Marcuse, o apóstolo da grande recusa




Na filosofia política, tal como no Cosmo, sabe-se, por igual existem cometas. Herbert Marcuse foi um deles. Em astronomia poderiam equipará-lo a um astro elíptico, um corpo celestial de fôlego curto. Reflete um brilho intenso, cintilante, porém, em seguida, perdemo-lo de vista, desaparecido na escuridão cósmica. Mesmo assim configurá-lo como umfenômeno de circunstância é injusto. Marcuse teve a rara felicidade de, ainda em vida, assistir e sentir os efeitos do que teorizou: “A Revolução Inesperada”, a grande revolta estudantil de 1968, pegou-o quando tinha 70, fazendo dele o patrocinador teórico das Kinder der Revolution, das “ Crianças da “Revolução”.
Na Escola de Frankfurt



Herbert Marcuse (1898 – 1979)
Na Alemanha dos anos vinte, naRepública de Weimar, Herbert Marcuse fora um dos integrantes do Frankfurt Institut für Sozialforshung, o Instituto de Pesquisas Sociais, instituição que celebrizou-se como a Escola de Frankfurt, formada por um seleto grupo de intelectuais filomarxistas (Felix Weil, Theodor Adorno, Max Horkheimer, etc..). Em alentados ensaios publicados desde 1932 na sua revista, a Zeitschrift für Sozialforschung,tentaram explicar através do que denominaram de Teoria Crítica, como o capitalismo ocidental conseguira sobreviver e preserva-se dos tumultos das revoluções de 1971-1919 e qual o papel desempenhado pela cultura como um poderoso elemento de dominação e conformismo.
Com a ascensão dos nazistas, em 1933, Herbert Marcuse, que antes, em 1929, fora até Freiburg para ser orientado por Heidegger numatese doutoral sobre Hegel, embarcou para o exílio nos Estados Unidos. É bem possível que esse europeu da gema, uns berlinenses de origem judaica, nascido em 19 de julho de 1898, jamais tenha conseguido aclimatar-se na América. Depois de peregrinar pela Universidade de Columbia, Harvard e Brandeis, chegou por fim à Califórnia, fixando-se na Universidade de San Diego.
Marx e Freud



Só se tornouconhecido fora dos círculos acadêmicos e das seitas esquerdistas a partir do seu ensaio Eros and Civilization, (Eros e Civilização, 1955). Retomando a mesma estrada antes percorrida por marxistas como W. Reich, Erich Fromm, e outros companheiros da Kulturkritik, exilados como ele na América, Marcuse , descontente com a pachorrenta e conformista sociedade de consumo americana, socorreu-se dapsicanálise para acenar com a possibilidade de Eros, o prazer, espraiando-se num panerotismo, ao contrário do que Freud dizia (o psicanalista sustentara que o prazer e o erotismo opunham-se à civilização), vir algum dia a harmonizar-se com a civilização, com a contenção e até com a disciplina em geral.
Eros amansado



Nesse novo mundo previsto por ele, reconciliado e pacificado, no qual Eros jánão representava mais uma ameaça à configuração geral da sociedade burguesa, o mitológico Prometeu, o dominador da natureza, cederia lugar o seu lugar aos “heróis da não-repressão”, a Orfeu e a Narciso. Defendeu então uma “liberação funcional” oposta à qualquer possível manipulação, abrindo caminho para uma proposta da emergência futura de uma civilização mais elevada – que se efetivou na atual Erada Permissividade - do que até então se conhecia, pois mesmo na América democrática existiam estruturas repressivas.
E, por mencionar-se a democracia, ele, como muitos pensadores esquerdistas da sua geração, desconsideravam-na. Entendeu-a apenas como um instrumento mais sofisticado da dominação burguesa, no qual “os servos escolhiam livremente os seus senhores”. Um processo político cujos reaiscontroladores escondiam-se atrás de um “véu tecnológico” e de uma (ir)racionalidade administrativa que impedia o povo de ver quem realmente mandava. Escrita em pleno clima da Guerra Fria, essa aberta crítica ao sistema vigente nos Estados Unidos poderia fazer parecer com que Marcuse devotasse alguma simpatia pelo inimigo dos americanos: a URSS.
Talvez tenha sido por isso mesmo, para livrar-se...
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