Malha urbana

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MALHA URBANA Nº 10 – 2010
A Morfologia Urbana da Cidade do Funchal e os seus espaços públicos estruturates

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Capítulo 1 A cidade e a sua morfologia urbana 1.1 A cidade

Teresa Barata Salgueiro, no seu livro “A cidade em Portugal”, começa por afirmar que a “cidade refere-se a um aglomerado populacional que a dada altura foi elevado a esta categoria por uma 19 entidadepolítico-administrativa (Rei ou Parlamento)” . Mais à frente lembra que “tradicionalmente para a Geografia cidade é uma forma de povoamento” e que “a cidade é uma entidade individualizada com certa dimensão e densidade onde se desenrola um conjunto 20 expressivo e diversificado de actividades” . A cidade não é apenas um título, uma qualificação. Também 21 não é só “uma forma de povoamento” ; um espaço destinado àprodução e à distribuição de bens e serviços ou, ainda, “um modo 22 de vida” . É antes de tudo “o espaço produzido resultante do meio físico e da acção humana, que participou no nascimento e desenvolvimento urbano e oferece agora, à cidade contemporânea, um quadro susceptível de ser modificado e de pesar, por sua vez, na cidade numa longa sequência de pontos e contrapontos nunca

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Salgueiro,T. (1992). A cidade em Portugal. Uma Geografia Urbana. Porto: Edições Afrontamento, pág. 19. 20 Idem, op. cit., pág. 26. 21 Entendida como forma de ocupação do território. 22 Pois o modo de vida urbano, sendo um produto da cidade, não é exclusivo desta. (Ibidem)

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Luísa Catarina Freitas Andrade Bettencourt

interrompidos” , ou seja, é o produto acumulado dascaracterísticas do lugar e de sucessivas decisões de diferentes actores, com objectivos e recursos diversos, que ao longo do tempo se vão influenciando mutua e continuamente pelas suas decisões. A cidade é o resultado de uma relação íntima entre o lugar e 25 o espaço , um palco de transformações e interacções de apropriação e de memórias dessas mesmas apropriações. Em cada cidade existe um “antes” eum “depois”, daí que ela 26 seja a síntese de vários momentos. De um modo geral o sítio mantém-se, alterando-se a forma, o desenho urbano. Em consequência, hoje os sítios são uma síntese de vários momentos da história, com permanências, sem que no entanto ocorra um corte epistemológico com o passado. A sua forma é apenas a forma de “um momento” da cidade. A forma urbana, tal como diz J. Lamas, nãosó depende da sociedade que a produz e das condições históricas, sociais, económicas e 27 políticas em que a sociedade gera o seu espaço e o habita , mas também “de teorias e posições culturais e estéticas” de quem as 28 idealiza e constrói . Nesta perspectiva a cidade é um organismo
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Beaujeu-Garnier, J. (1980). Geografia urbana. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, pág. 37. 24Entendido como espaço social, dado que é um espaço transformado ao longo da história de determinada formação social (Prof. Teresa V. Heitor). 25 Enquanto suporte físico das áreas construídas e livres de um aglomerado. 26 Relacionado com o espaço geográfico, o sítio é, segundo Jacqueline BeaujeuGarnier, “o lugar preciso da implantação inicial da cidade” (op. cit., pág.94), ou como define AldoRossi (Rossi, A. (1966). A arquitectura da cidade. Lisboa: Edições Cosmos, pág. 84), “a área sobre a qual surge uma cidade; a superfície que ela realmente ocupa”. 27 Lamas, J. M. R. G. (2004). Morfologia urbana e desenho da cidade. Porto: Fundação Calouste Gulbenkian/Fundação para a Ciência e a Tecnologia, pág. 31. 28 Ibidem.

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A Morfologia Urbana da Cidade do Funchal e osseus espaços públicos estruturates

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vivo, um artefacto arquitectónico e humano transformação, que cresce sobre si própria.

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constante

A leitura da cidade torna-se assim complexa. J. Lamas escreve que a primeira leitura da cidade será sempre ao nível “físico-espacial e morfológico”, pois só esta pode mostrar a singularidade de cada espaço e de cada forma, e ainda “explicar as...
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