Kant

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  • Publicado : 26 de setembro de 2012
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A obra filosófica de Kant é marcante na história da filosofia moderna. Na fase pré-crítica podemos considerar Kant como um típico representante do racionalismo dogmático. Isso fortemente se constata por causa de sua influência de Leibniz e Wolff, sobretudo no contexto alemão de sua época. O trabalho de despertá-lo do dogmatismo coube à leitura de David Hume. O ceticismo humeano abalou Kant quetentava uma defesa do racionalismo contra o empirismo cético. Dessa forma, Immanuel Kant notou que as questões levantadas pelos empiristas levaram-no a elaborar o seu racionalismo crítico (ou criticismo) na intenção de superar a rivalidade existente entre o racionalismo e o empirismo.
A idéia crítica de Kant só aparece em 1781, conforme já explicitado, com a Crítica da razão pura. Sua filosofia éfruto de um longo processo de elaboração e o que o conduziu a essa idéia não foi, entretanto, as rejeições à metafísica clássica, mas o fato de possuir a consciência da incerteza dessas conclusões e a fraqueza dos argumentos ao qual a metafísica estava embasada. Fazendo a leitura de Hume, Kant compreendeu, então, que era necessário repensar a metafísica.
O empirismo cético de Hume,particularmente sua crítica à causa e efeito, deixou as posições racionalistas infundadas. Segundo o pensamento humeano, a razão é incapaz de pensar a priori, e através de conceitos, qualquer relação necessária como o nexo de causa e efeito. Só a experiência pode gerar a noção de causa e Hume conclui, então, que a razão não possui faculdades de pensar relações de causa.
O criticismo de Kant é, então, asíntese das duas correntes fundamentais do conhecimento: o racionalismo dogmático e o empirismo cético. Além de despertar Kant do sono dogmático, o ceticismo de Hume concedeu às investigações filosóficas de Kant uma orientação totalmente diversa, fazendo com que indagasse sobre o conhecimento, enquanto suas condições e limites. Desse modo, Kant diferencia filosofia e ciências, afirmando que o objetopróprio de cada uma é diverso. A filosofia tem como objeto o conhecimento, o que leva o criticismo a concluir que o conhecimento é resultado de uma síntese da sensibilidade e do entendimento.
A teoria criticista de Kant desdobra-se na trilogia da Crítica da razão pura, da Crítica da razão prática e da Crítica da faculdade de juízo. Kant percebeu a importância tanto das questões levantadas pelosempiristas quanto as levantadas pelos racionalistas. Com isso, acabou elaborando a superação entre as duas correntes. Mas, é significativo que Kant, inserido no contexto do racionalismo alemão, tenha dedicado sua Crítica da razão pura a Bacon, o iniciador do empirismo.
Essa obra exigiu doze anos de meditação, sendo concluída no ano de 1781. Não apresenta apenas um ponto de curvatura na obra denosso filósofo, mas foi, também, uma grande mudança produzida na filosofia moderna. Podemos dizer que seu objetivo principal é a investigação da possibilidade de a metafísica ser considerada uma ciência nos limites da razão humana. Com isso, a metafísica torna-se um objeto de investigação crítica da razão. A obra apresentada após anos de intenso trabalho, não pode ser considerada uma metafísica aosmoldes do sistema de Leibniz ou de Wolff, mas uma ciência propedêutica que precederia, segundo Kant, à sua própria metafísica.
A Crítica da razão pura, por essas características de uma metafísica diversa, tornou-se estranha mesmo aos amigos e discípulos de Kant, que esperavam uma metafísica dentro dos moldes tradicionais. Por não ter sido compreendida, Kant publicaria, em 1783, a obra Prolegômenosa toda metafísica futura que queira se apresentar como ciência, com o objetivo de esclarecer, com uma exposição mais popular, a recepção da sua obra crítica, considerada árida e de difícil compreensão. E em 1787, Kant publicaria a segunda edição desta Crítica, trazendo algumas explicações importantes.
O projeto de uma ciência propedêutica necessária para uma metafísica tornar-se o próprio...
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