Futuro do passado

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Resenha∗

Futuro Passado: Contribuição à semântica dos tempos históricos∗
A obra “Vergangene Zukunft” compreende uma coleção de ensaios de Reinhart Koselleck (1923 – 2006), um dos mais eruditos historiadores contemporâneos e talvez o principal construtor da idéia de uma “história dos conceitos”. Foi apresentada e traduzida ao público brasileiro com o título de “Futuro Passado: contribuição àsemântica dos tempos históricos.” Koselleck nasceu em Gorlitz, Alemanha em 1923. Aos dezoito anos, em 1941, se apresentou como voluntário do exército de Hitler, tendo combatido na frente além leste. Derrotado, foi feito prisioneiro em um campo de concentração russo. Na década de 1950, inicia sua carreira acadêmica. Na opinião de alguns especialistas sua obra tinha como objetivo “compreender osfundamentos da modernidade sem declinar da necessidade de enfrentar as experiências vividas na segunda guerra, seus escritos devem ser entendidos como uma reação a essas experiências.” Os ensaios reunidos em “Futuro Passado” foram divididos em três partes: na primeira, intitulada “Sobre a relação entre passado e futuro na história moderna”, foi dado um destaque especial ao segundo ensaio, “HistoriaMagistra Vitae – Sobre a dissolução do topos na história dos tempos modernos”. Este texto trata-se de uma reflexão teórica acerca do surgimento do conceito moderno de “história”, na opinião de Koselleck, a mais importante de todas as inovações conceituais da modernidade. Para fundamentar tal hipótese, o autor demonstra, por exemplo, o significado que a “história” possuía no século XVI, época dapintura da Batalha de Alexandre, de Albrecht Aldorfer. Percebe que naquela época o termo “história” – em alemão Historie – poderia significar tanto uma imagem como uma “narrativa” – em alemão Geschichte. Indica-nos ainda que com o passar dos tempos os termos tendem a se transformarem. Ilustrativo deste fenômeno foi o que ocorreu com o conceito “revolução”. Na época de Aristóteles, este conceitosignificava, grosso modo, um movimento cíclico ou um retorno. Porém os acontecimentos incontroláveis de 1789 na


Resenha de autoria de Luiz Mário Ferreira Costa, mestrando pelo programa de pós-graduação do departamento de História da Universidade Federal de Juiz de Fora. ∗ Esta resenha foi escrita com base em: KOSELLECK, Reinhart. Futuro Passado: Contribuição à semântica dos tempos históricos;tradução, Wilma Patrícia Maas, Carlos Almeida Pereira; revisão César Benjamin. Rio de Janeiro: Contraponto-Ed. PUC-Rio, 2006.

França alterariam o entendimento do termo. A partir de então passou a representar todas as revoluções, mas tendo como base a Revolução Francesa. Para o autor o termo evoluiu para a forma de um “coletivo singular”. Esta transformação conceitual estaria intimamente ligada coma dissolução da clássica expressão Historia Magitra Vitae, cunhada por Cícero. Segundo o historiador, por cerca de 2 mil anos este topos permaneceu ileso. A história era antes de tudo uma escola da vida, um arsenal de experiências pedagógicas. Portanto até o século XVIII esta expressão ainda era um indício inquestionável da vida humana, “... cujas histórias são instrumentos recorrentesapropriados para comprovar doutrinas morais, teológicas, jurídicas ou políticas” (p.45). Para Koselleck foi uma frase de Tocqueville a responsável por inaugurar um suposto “novo tempo”: “Desde que o passado deixou de lançar luz sobre o futuro, o espírito erra nas trevas”. Na segunda parte do livro, “Sobre a teoria e o método da determinação do tempo histórico”, um dos ensaios mais instigantes é aquele querecebeu o título, “História dos conceitos e história social”. Aqui Koselleck leva o leitor numa viagem erudita em busca da possibilidade de determinação temporal, além de propor estabelecer uma relação muito mais complexa entre a história social e a história dos conceitos. De maneira clara e coerente, o autor nos informa a força peculiar das palavras, pois sem as quais o “sofrer e o fazer...
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