Freud e a juventude

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Sigmund Freud e a adolescência



( material exclusivamente para circulação nos Seminários sobre Donald Winnicott/ CAMPINAS-SÃO PAULO/2001 )


J. Outeiral







Os pacientes adolescentes de freud


O conceito de adolescência na obra de Freud


A Adolescência de Freud






Introdução






Sigmund Freud e a adolescência“ Se Oedipus Rex comove tanto uma platéia moderna quanto fazia com a platéia grega da época, a explicação só pode ser que seu efeito não esta no contraste entre o destino e a vontade humana, mas deve ser procurado na natureza específica do material com que esse contraste é exemplificado.
Deve haver algo que faz uma voz dentro de nós ficar pronta a reconhecer a força compulsiva do destino noOedipus, ao passo que podemos descartar como meramente arbitrários os desígnios do tipo formulado em die Ahnfrau [ de Grill Parzer ] ou em outras modernas tragédias do destino . E há realmente um fator dessa natureza envolvido na história do Rei Édipo .
Seu destino comove-nos apenas porque poderia ter sido o nosso – porque o Oráculo lançou sobre nós, antes de nascermos a mesma maldição
quecaiu sobre ele “ .

S. Freud (1900) A interpretação dos sonhos



” Toma assento agora, leitor, em teu escabelo e antegoza em pensamento o banquete à vista se queres um prazer que suplante o teu tormento
Já te servi ; alimenta-te agora por ti mesmo; esta matéria que sou escriba
exige doravante todo meu pensamento “ .
Dante ( A Divina Comédia. Paraíso)




Amotivação para este livro surgiu de um duplo interesse de minha parte: psicanálise e adolescência . Assim me parece perfeitamente adequado que possamos retomar, como sempre é necessário, o estudo das contribuições de Sigmund Freud ( ou falando de adolescência talvez seja melhor escrever Sigismund ...) ( nota 1 ) .
Iniciei meu trabalho clínico com adolescentes em 1970 quando atendi um rapaz e umamoça, sob a supervisão de Luiz Carlos Osório .
O rapaz apresentava um quadro de esquizofrenia catatônica e o trabalho me permitiu tomar contato com estados primitivos da mente e com o funcionamento psicótico . Seu atendimento foi feito em uma comunidade terapêutica e após a remissão da sintomatologia ele retornou a sua cidade, no interior do estado e nunca mais tive notícias dele .
Amoça tinha um funcionamento neurótico e recordo que um elemento importante foi que ela , em uma das sessões, trouxe seu “ diário ” para lermos juntos. Interpretei este gesto de uma maneira equivocada, mas conforme os “ cânones “ da época, como “ resistência “. A supervisão me possibilitou compreender que, ao contrário, ela me propunha acesso ao seu “ diário - íntimo “ , seu mundo interno defantasias, devaneios e experiências adolescentes. Trabalhamos em psicoterapia por aproximadamente dois anos . Ela fora adotada com alguns meses, por uma mulher solteira, e apresentava um quadro que eu diagnosticaria hoje como de “ tendência anti-social “ , seguindo a compreensão possibilitada a estas situações clínicas por Donald Winnicott. Passados mais de vinte anos ela me procurou por estar emdificuldades no relacionamento conjugal . Estava casada há quase cinco anos e tinha dois filhos . Abordamos esta situação em algumas sessões e após uma melhora sintomática ela decidiu que voltaria a me telefonar se necessitasse de ajuda . Ocasionalmente ela me procura e conversamos sobre seus filhos, em consultas terapêuticas .
Desde esta época, então, este “ duplo interesse “, pela psicanálise epela adolescência, tem me levado a leitura de diferentes autores e, mesmo, a escrever trabalhos e livros e a desenvolver uma clínica onde tenho a oportunidade de acompanhar várias gerações de adolescentes e seus pais e, inclusive, atender crianças de pais que foram meus pacientes quando adolescentes. Após este tempo achei interessante fazer um esboço, ou um perfil, alguns rabiscos ou um shape,...
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