Etnografia de um asilo

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  • Publicado : 21 de junho de 2012
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O objetivo do presente artigo é apresentar uma etnografia sobre a praça Serzedelo Correia, localizada no bairro de Copacabana. Considerando que desenvolvo meu projeto de dissertação de mestrado sobre o processo de envelhecimento neste bairro, localizado na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, realizei uma etnografia em uma de suas praças. Como sou moradora do bairro já havia atentado em momentosanteriores para a concentração de idosos nessa praça, o que a tornou para mim um lugar fértil para investigações antropológicas, a ponto de ser objeto de um relato etnográfico. Apresento ainda uma reflexão teórica e metodológica sobre o “fazer etnográfico”.A minha escolha pelo bairro de Copacabana se deu por algumas razões. Por ser moradora do bairro, sempre tive muita curiosidade por ele.Copacabana me fascinou pela heterogeneidade dos moradores, espaços e moradias, como também provocou algumas angústias em relação a seus problemas de trânsito, violência, prostituição. Aliada a essa curiosidade pessoal, depois do meu início no curso de ciências sociais comecei a olhar o bairro com o pensamento de que ele poderia ser objeto de um trabalho acadêmico. Quando iniciei o curso de mestrado,senti a necessidade de mudar os temas que vinha estudando até então. Conversando com minha orientadora, que estava voltada para os estudos sobre gênero e envelhecimento, percebi que era o momento de estudar Copacabana. Afinal, meus anos no bairro me mostraram que ele tem uma relação muito estreita com os que envelheceram. Minhas pesquisas iniciais mostraram que eu poderia ter razão. Há um imagináriosobre Copacabana ser o bairro do e para o idoso.“Capital da terceira idade”, “Paraíso do idoso” (http://veja.abril.com.br/vejarj/070606/comportamento.html). Muitos são os títulos concedidos ao bairro de Copacabana. A Organização Mundial de Saúde (OMS) escolheu Copacabana como laboratório para um estudo que busca soluções para melhorar a qualidade de vida dos idosos nas grandes cidades, tendodesenvolvido o projeto “Porteiro Amigo do Idoso”, que visa habilitar os porteiros dos prédios a ajudar o morador idoso. (http://www.rj.senac.br/webforms/SenImprensaDetalhe.aspx?pSecaoId=80&pInfoID=4035) Além das representações elaboradas sobre o bairro, a Região Administrativa (RA) que mais concentra idosos é a de Copacabana, com 27,2% da sua população. Ela é seguida por Paquetá com 21,2% e pelaTijuca com 21,1%.81% dos idosos se encontram nos espaços urbanos, segundo os dados do Censo do ano de 2000 coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (www.ibge.gov.br). O grau de urbanização do idoso tem aumentado ao longo do tempo, como apontam os dados. A proporção de idosos residentes nas áreas rurais caiu de 23,3%, em 1991, para 18,6%, em 2000. Especificamente, focareia cidade do Rio de Janeiro, que é a capital do Brasil que abriga a maior proporção de idosos, 12,8%, sendo seguida por Porto Alegre, com 11,8%. Penso, nesse sentido, ser fundamental para compreender o idoso analisar o espaço em que a grande maioria reside, assim como é importante para compreender o espaço urbano observar como esses moradores utilizam esse espaço. voltar ao topoEtnografia de umapraça – observando o idoso em Copacabana Em um de meus dias livres, ou seja, sem aulas do mestrado, me dirigi até a praça. Ela fica localizada na Avenida Nossa Senhora de Copacabana (a mais importante e movimentada rua do bairro, pois é onde transitam as principais linhas de ônibus do bairro e onde também se localizam as principais lojas, centros comerciais e supermercados) entre as ruas SiqueiraCampos e Hilário de Gouveia. No caminho até a praça que fica cerca de seis quadras de minha casa hesitei em fazer o campo neste dia,pois  estava mais calor nesse dia do que nos dias anteriores, mesmo sendo dez horas da manhã. Acreditava que esse fator poderia prejudicar minha etnografia, pois não pensava encontrar muitas pessoas presentes no local. Na minha concepção, quanto maior o número de...
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