Empresabilidade

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  • Publicado : 23 de agosto de 2012
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Empresabilidade e aparência
Em pesquisa solicitada pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) a professores da faculdade de economia da UFF, com a coordenação da professora Ruth Helena Dweck, descobriu-se que o fator beleza é um ponto muito considerado pelo mercado de trabalho. Ou seja, os estudos comprovaram que o mercado usa a aparência comoforma de seleção.
A partir da década de 80, a aparência física começou a ser um fator importante, influindo nos rendimentos e salários das pessoas. Esta variável acaba explicando os motivos do crescimento e das transformações por que vem passando o setor de estética e higiene pessoal ao longo dos últimos anos, no Brasil e no mundo.
“A exigência da boa aparência tem estimulado os investimentosem beleza”, diz a professora Ruth Helena. A maioria das mulheres e um percentual de homens se preocupam com a aparência e por isso compram produtos para melhorá-la. As mulheres de baixa renda comprometem, proporcionalmente, uma parcela maior de sua renda com cosméticos do que as mulheres de renda mais elevada.
O estudo aponta que o setor de higiene pessoal movimenta mais do que o dobro dosetor de cosméticos, pois vende para as classes C e D. Do ponto de vista empresarial, a relevância dos investimentos se expressa no surgimento constante de novos produtos, criados para atender uma demanda cada vez mais diversificada, que reflete as influências da moda, da mídia e dos movimentos sociais, que valorizam certos aspectos culturais ou raciais. “A mídia influencia muito esse modelo debeleza”, confirma a professora.
Isso também é agregado ao crescimento da longevidade da população, associado ao medo de parecer velho. Ruth ainda disse que é uma preocupação que deixou de ser apenas feminina, e passou a ser motivo de atenção dos homens. Não é por acaso que no Brasil os produtos mais vendidos são os destinados ao tingimento de cabelos (isto inclui tinturas, alisantes, fixadores emodeladores).
Segundo a pesquisa, a produção brasileira da indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos já representava, em 2004, 6,5% do faturamento total da indústria química. Este setor tem crescido uma média de 5% ao ano, bem acima da média de crescimento do PIB, que foi de 2,4%. Desta forma o Brasil é considerado hoje o 5º maior mercado na área de cosméticos no mundo. E segundopesquisas da Roper Starch Worlwide, de 2000, sobre o tempo gasto pelas pessoas para melhorar a aparência temos o Brasil em 7º lugar. Cerca de 30% do tempo dos brasileiros é gasto com isto, e, liderando a pesquisa, a Venezuela, com cerca de 57% do tempo se preocupando com a aparência.
Outros fatores notados durante a pesquisa foram que uma das características dos serviços de beleza é apersonalização, e por isto são grandes absorvedores de mão-de-obra. A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) em 2003 chegou a registrar um crescimento de 6% ao ano do número de trabalhadores deste setor. Ou seja, de 679 mil pessoas, em 1995, para 1 milhão e 43 mil em 2003.
Devido à pouca qualificação exigida, o setor de serviços de beleza tornou-se a grande porta de entrada para o trabalho urbano,principalmente das mulheres. Apesar de estar havendo um crescimento no número de profissionais do sexo masculino, as mulheres ainda representam cerca de 80% do pessoal, enquanto na economia geral a participação feminina chega a 40,1%, segundo os dados do PNAD de 2003.
Mesmo com a sofisticação dos serviços de beleza – como esteticista, massagistas, personal trainer (em sua maioria do sexomasculino) –, os cabeleireiros e manicures continuam sendo 70% do total, embora essa taxa venha diminuindo. Os salários destas categorias ainda são baixos, segundo a média é de 1,7 salários mínimos, enquanto a média nos serviços em geral é de 3 salários mínimos. Nota-se que quanto maior o grau de escolaridade destes profissionais, maior o salário.
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