Defesa de capitu

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Defesa de Capitu
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Trabalho de Linguagem Jurídica em que o acadêmico escolhe defender Capitu, personagem de "Dom Casmurro" de Machado de Assis.
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Excelentíssimo Sr. Dr. Juiz de Direito,

Capitolina Santiago, brasileira, casada, do lar, da qual sou advogado constituído, vem pormeio desta, requerer abertura de processo contra o Sr. Bento Santiago, brasileiro, casado, advogado, com base nos art. 138 e 139 do Código Penal por calúnia e difamação, e art. 140, injúria por vias de fato aviltantes e elementos referentes à origem, conforme § 2º e 3º e agravado por divulgação da calúnia, difamação ou injúria na forma do art. 141, III.

Ad argumentandum tantum, a vítimapermanece casada e tem um filho com o acusado, tendo sido o menor E. A. S. devidamente reconhecido e registrado mediante inscrição no Cartório de Registro Civil dessa Comarca e nos Registros Eclesiásticos de Batismo da Igreja, Não obstante a vítima vem sofrendo acusações, públicas e privadas por parte do acusado, sendo estas recentemente publicadas em forma de livro escrito servindo como provairrefutável no processo que se segue.

Ad probationem, cito os devidos capítulos correspondentes as acusações:

Dom Casmurro - Capítulo 137, parágrafos 6º e 7º:
- Papai! Papai! – Exclamava E. A. S.
- Não, não, eu não sou teu pai!

Dom Casmurro - Capítulo 138, parágrafos 1º ao 8º:
Quando levantei a cabeça, dei com a figura de Capitu diante de mim. Eis aí outro lance, que parecerá de teatro, e é tãonatural como o primeiro, uma vez que a mãe e o filho iam à missa, e Capitu não saía sem falar-me. Era já um falar seco e breve; a maior parte das vezes, eu nem olhava para ela. Ela olhava sempre, esperando.
Desta vez, ao dar com ela, não sei se era dos meus olhos, mas Capitu pareceu-me lívida. Seguiu-se um daqueles silêncios, a que, sem mentir, se pode chamar de um século, tal é a extensão dotempo nas grandes crises. Capitu recompôs-se; disse ao filho que se fosse embora, e pediu-me que lhe explicasse...
-Não há que explicar, disse eu.
-Há tudo, não entendo as tuas lágrimas nem as de E. A. S. Que houve entre vocês?
-Não ouviu o que lhe disse?
Capitu respondeu que ouvira choro e rumor de palavras. Eu creio que ouvira tudo claramente mas confessá-lo seria perder a esperança do silêncioe da reconciliação por isso negou a audiência e confirmou unicamente a vista. Sem lhe contar o episódio do café, repeti-lhe as palavras do final do capítulo.
-O quê? perguntou ela como se ouvira mal.
-Que não é meu filho.

Diante das inverdades publicadas pelo acusado, por causa turpis e sem auxílio de provas, pede-se medida indenizatória pelos motivos já citados e baseados em lei, visto queas justificativas do acusado para o crime se devem há problemas patológicos de origem psiquiátrica, sendo inclusive perigoso para a sociedade, haja vista que possui tendência homicida e suicida como citatio libellata pelo acusado nos capítulos que se seguem:

Dom Casmurro - Capítulo 136, parágrafos 1º ao 4º:
O meu plano foi esperar o café, dissolver nele a droga e ingeri-la. Até lá, não tendoesquecido de todo a minha história romana, lembrou-me que Catão, antes de se matar, leu e releu um livro de Platão. Não tinha Platão comigo; mas um tomo truncado de Plutarco, em que era narrada a vida do célebre romano, bastou-me a ocupar aquele pouco tempo, e para em tudo imitá-lo, estirei-me no canapé. Nem era só imitá-lo nisso; tinha necessidade de incutir em mim a coragem dele, assim como eleprecisara dos sentimentos do filósofo, para intrepidamente morrer. Um dos males da ignorância é não ter este remédio à última hora. Há muita gente que se mata sem ele, e nobremente expira, mas estou que muita mais gente poria termo aos seus dias, se pudesse achar essa espécie de cocaína moral dos bons livros. Entretanto, querendo fugir a qualquer suspeita de imitação, lembra-me bem que, para não...
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