Cultura

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  • Publicado : 24 de novembro de 2012
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Clareza na cultura
Quantos presidentes a empresa teve nos últimos anos? A maior parte dos executivos foi formada dentro de casa ou contratada a preço de ouro? A estratégia de remuneração é conhecida pelos executivos e pelos acionistas? São informações que podem até parecer pouco relevantes, mas que têm relação inegável com o desempenho das empresas no longo prazo.
As dez empresas do rankingEXAME/BCG têm cultura corporativa clara. Os presidentes da CCR, Renato Vale, e da Tractebel, Manoel Zaroni Torres, por exemplo, estão no cargo há mais de dez anos. O da Ambev, João Castro Neves, começou como trainee nos anos 90.
No caminho oposto estão empresas que cresceram rapidamente nos últimos anos e não tiveram tempo de formar seus próprios executivos nem de criar uma cultura corporativaúnica. Um caso emblemático é a PDG, maior incorporadora do país.
No último ano, as obras começaram a atrasar, as ações caíram 60% e, para piorar, o executivo escolhido para assumir a presidência deixou o negócio — a PDG ficou sem sucessor.
“Nas empresas que conseguem ter sucesso no longo prazo, os funcionários conhecem muito bem a cultura e se identificam com ela. Todos sabem para onde o negócio estácaminhando — e, por causa disso, não se abalam com os solavancos do mercado”, diz a consultora Betania Tanure, especialista em cultura organizacional.
Cresça no exterior — mas com calma
Crescer fora do Brasil também foi um grande negócio nos últimos anos para pelo menos quatro empresas da lista: Brasil Foods, Marcopolo, Ambev e Randon. Nos últimos oito anos, a receita da Ambev no exterior, queera zero, chegou a 30% do total. Na fabricante de peças automotivas Randon, passou de 10% para 20%.
Mas não foi apenas por crescer no exterior que esse grupo de empresas conseguiu se valorizar. Elas seguiram uma cartilha com uma regrinha básica: começar pequeno, sem arriscar muito no processo.
Mesmo as empresas mais cuidadosas levam tempo até aprender a atuar fora do país, e nesse caminho jogamdinheiro pela janela.
Desde o fiasco português, a Marcopolo tem critérios claros para sua internacionalização. Procura países com alta concentração populacional e economia aquecida — ou seja, aqueles onde um grande número de pessoas precisa de ônibus todos os dias. Entre eles estão México, África do Sul, Índia e Egito. Atualmente, metade da capacidade de produção da empresa está no exterior. Dívida baixa
Assim como as companhias que não dão lucro, empresas altamente endividadas são sinal de problemas à vista para o investidor. Comparadas à média das empresas abertas no Brasil, as campeãs do levantamento do BCG devem muito pouco. A Marcopolo, a Ambev e o Bradesco têm dívida zero.
Pegar dinheiro emprestado, evidentemente, faz parte do dia a dia de qualquer grande empresa no Brasil e nomundo. São esses empréstimos que asseguram os investimentos e dão condições à empresa para expandir os negócios. Mas, em excesso, as dívidas corroem o valor de mercado da empresa e engessam sua capacidade de crescer no longo prazo.
É o que vem acontecendo nos últimos anos com a Suzano, que acumula dívidas de 5,7 bilhões de reais — ou 4,8 vezes sua geração de caixa. As ações da companhiaquintuplicaram de valor entre 2002 e 2008, mas estão, hoje, no mesmo patamar de dez anos atrás.
“O investidor que quer tranquilidade deve fugir das empresas que se endividam em excesso para dar grandes tacadas”, diz Mário Fleck, presidente da Rio Bravo Investimentos. As soluções geniais, afinal, podem simplesmente não dar certo. E quem paga a conta é o acionista.
Sem crise de identidade
Por fim, asempresas que mais deram retorno nos últimos anos foram aquelas que se mantiveram fiéis à sua estratégia. Investidores costumam ser implacáveis com empresas que não cumprem o prometido.
Nos últimos três anos, a Gol passou por três reestruturações para retomar a antiga forma. A última tentativa foi a contratação de Paulo Kakinoff, ex-presidente da montadora alemã Audi no Brasil, em junho. Nos...
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