Cidades e serras

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A cidade e as serras – Eça de Queirós – Realismo Português
Texto I
Jacinto e eu, José Fernandes, ambos nos encontramos e nos acamaradamos em Paris, nas escolas do Bairro Latino. (...) O meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com cento e nove contos de renda em terras de semeadura, de vinhedo, de cortiça e de olival. (...) segurança e doçura (...) a vida oferecia ao meu amigo Jacinto. Por issonós lhe chamávamos o “Príncipe da Grã-Ventura”.
1. Identifique no texto:
a) o narrador.
b) o protagonista.
c) a classe social do protagonista.
d) a origem de sua renda.
2. Jacinto nascera em Paris, no 202 dos Campos Elísios, onde ainda vivia. Levando em consideração seu conhecimento do romance, indique o motivo que levou sua família ao “exílio”.
3. Comente a semelhança, de um ponto de vistasocial, entre Jacinto, protagonista de A cidade e as serras, e Carlos da Maia, protagonista de Os Maias.
Texto II
Ora nesse tempo Jacinto concebera uma ideia (...) de que “o homem só é superiormente feliz quando é superiormente civilizado” (...) apto a recolher dentro de uma sociedade e nos limites do progresso (tal como ele se comportava em 1875) todos os gozos e todos os proveitos que resultamde Saber e de Poder (...).
-Aqui tens tu, Zé Fernandes, - começou Jacinto, encostado à janela do mirante- a teoria que me governa, bem comprovada. Com estes olhos que recebemos da Madre Natureza, lestos e sãos, nós podemos apenas distinguir além, através da Avenida, naquela loja, uma vidraça alumiada. Mas nada! Se eu porém aos meus olhos juntar os dois vidros simples de um binóculo de corridas,percebo, por trás da vidraça, presuntos, queijos, boiões de geleia e caixas de ameixa-seca. Concluo portanto que é uma mercearia. Obtive uma noção: tenho sobre ti, que com os olhos desarmados vês só o luzir da vidraça, uma vantagem positiva. Se agora, em vez destes vidros simples, eu usasse os do meu telescópio, de composição mais científica, poderia avistar além, no planeta Marte, os mares, asneves, os canais, o recorte dos golfos, toda a geografia de um astro que circula a milhares de léguas dos Campos Elísios. É outra noção, e tremenda! Tens aqui pois o olho primitivo, o da Natureza, elevado pela Civilização à sua máxima potência de visão. E desde já, pelo lado do olho portanto, eu, civilizado, sou mais feliz que o incivilizado, porque descubro realidades do universo que ele nãosuspeita e de que está privado. (...) Claro é portanto que nos devemos cercar de Civilização nas máximas proporções para gozar nas máximas proporções a vantagem de viver. Agora concordas, Zé Fernandes?
4. Transcreva do texto a ideia central da tese defendida por Jacinto.
Texto III
Por uma conclusão bem natural, a ideia de Civilização, para Jacinto, não se separava da imagem da Cidade, de umaenorme Cidade, com todos os vastos órgãos funcionando poderosamente (...)
- Que criação augusta, a da Cidade! Só por ela, Zé Fernandes, só por ela, pode o homem soberbamente afirmar a sua alma!...
Texto IV
Toda a intelectualidade, nos campos, se esteriliza, e só resta a bestialidade. Nesses reinos crassos do Vegetal e do Animal duas únicas funções se mantêm vivas, a nutritiva e a procriadora.(...) Ao cabo de uma semana rural, de todo o seu ser tão nobremente composto só restava um estômago e por baixo um falo! A alma? Sumida sob a besta.
5. Indique a relação estabelecida entre os textos III e IV, bem como a tese defendida por Jacinto.
Texto V
Claramente percebia eu que o meu Jacinto atravessava uma densa névoa de tédio, tão densa (...). Pobre Príncipe da Grã-Ventura, tombado para osofá de inércia (...) E esse fastio não o escondeu mais do seu velho Zé Fernandes (...) aquele murmurar que se tornara perene e natural: “Para quê?” – “Não vale a pena!” – “Que maçada!”...
6. Zé Fernandes voltou a Portugal, ausentou-se de Paris por sete anos. Ao voltar, reencontrou o 202 dos Campos Elísios abarrotado de civilização, um verdadeiro “depósito”: elevador, calorífero, biblioteca de...
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