Capanema por lucia lippi oliveira

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OLIVEIRA, Lucia Lippi. “O intelectual do DIP: Lourival Fontes e o Estado Novo”. In: BOMENY, Helena (Org.). Constelação Capanema: intelectuais e políticas. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, 2001. Pág. 35-58.

O livro “Constelação Capanema: intelectuais e políticas” é parte significativa do que foi apresentado em Seminário em comemoração ao centenário de Gustavo Capanema, ocorrido em BeloHorizonte nos dias 21 e 22 de setembro de 2000. A obra tem por objetivo apresentar uma visão mais ampla sobre a política da educação e cultura da época em que Capanema esteve à frente do Ministério da Educação.
A autora do artigo “O intelectual do DIP: Lourival Fontes e o Estado Novo”, Lucia Lippi Oliveira é socióloga e pesquisadora do CPDOC, da Fundação Getulio Vargas. Organizou a coletâneaEstado Novo: ideologia e poder (Zahar, 1980) e é autora de “A questão nacional na Primeira República” (Brasiliense, 1990) e “Americanos: representações da identidade nacional no Brasil e nos EUA” (UFMG, 2000), e também de artigos sobre a questão nacional.
A autora deste artigo busca explicar a figura de Lourival Fontes, considerado o criador do mito Vargas. Para isso faz uma breve referencia abiografia desse personagem histórico, passando por suas relações com a política, a ligação com Getulio Vargas, a conjuntura política do momento, até seu afastamento do DIP e chegar a ser considerado traidor, quando do suicídio de Vargas.
Lourival Fontes, durante o Estado Novo, foi um quadro de direita que atuou em área estratégica do governo. As informações a seu respeito são esparsas, mas suabiografia informa que ao chegar ao Rio de Janeiro aproximou-se do grupo católico de Jackson Figueiredo, o que o faz ser considerado da direita católica e também adepto do anticomunismo. A revista por ele dirigida, Hierarquia, possuía o mesmo nome da revista italiana fascista, e publicava artigos que abordavam os temas políticos correntes no Brasil da época. Em 1931 teve seu primeiro contato com Vargas,através de um amigo comum, Luis Aranha, nesta ocasião Getulio pediu-lhe para fazer um parecer sobre o Departamento de Difusão Cultural que pretendia instituir, logo depois foi convidado a dirigir o órgão.
Outro importante momento de Lourival tem haver com sua relação com Pedro Ernesto, figura importante na conspiração que levou a Revolução de 1930, médico, primeiro prefeito eleito do DistritoFederal e que teve sua carreira política abalada depois de ser suspeito de manter ligações com a ANL. Em 1932 Lourival rompe com Pedro Ernesto, segundo Sarmento (1996) um dos pontos de discórdia foi a questão da laicização do ensino, defendida por Anísio Teixeira e Pedro Ernesto.
Em 1934 é convidado a dirigir o Departamento Nacional de Propaganda e Difusão Cultural, no qual passou a se dedicar adivulgação das ações do governo e da figura do governante a fim de obter o apoio da população ao governo. Francisco Campos, um dos ideólogos do Estado Novo, diz que o irracional tem muito mais força do que a razão, pois é capaz de chegar ao universo intimo das camadas populares, e para atingir as camadas populares a propaganda deveria apelar para dramas épicos, narrativas heróicas.
Outra versãoda construção do mito é a expressa por Almir de Andrade, segundo a qual Getulio não teria agradado da versão de Francisco Campos e teria solicitado a Almir uma nova visão sobre o espírito do regime. Esse trabalho deu origem ao livro Força, cultura e liberdade (1940), no qual o autor procura vincular o governo de Vargas as raízes culturais brasileiras, assim as justificativas da nova política estaassociada às verdadeiras raízes, a tradição. Também foram lançadas biografias de Getulio, estas sempre mostrando as qualidades do governante: a proximidades com o povo, a inteligência excepcional e a disposição para a luta, esses eram os atributos básicos do herói. Na busca pelas verdadeiras tradições o governo aproxima-se da Igreja, mas isso não quer dizer que todas as reivindicações desta...
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