Assistencia social

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Introdução
De abordagem conceitual, o texto tem como proposta resumir e apontar o lugar da mulher na família e as relações de proteção social travadas nos espaços onde a pobreza é condição. Enquanto figura central da vida doméstica, a mulher vem merecendo destaque na esfera pública como pessoa de referência para o recebimento de benefícios sociais devido ao fato de aplicar melhor dos recursosno âmbito familiar. No entanto, apesar do reconhecimento quanto aos cuidados e proteção da família, as políticas não têm se voltado para a perspectiva de gênero e desse modo, as desigualdades e discriminações continuam incidindo sob formas injustas de oportunidades. No contexto da pobreza, e mais especificamente da vulnerabilidade acentuada, as mulheres, para driblarem as inseguranças sociais,acabam tecendo redes de apoio, em geral com outras mulheres, e por meio dessas relações sociais com os mais próximos ocupam o lugar onde o Estado e o mercado não chegam, prestando relevantes serviços no enfrentamento das condições de pobreza.
 
Habitando espaços desiguais: condição da mulher nas famílias pobres
Se iniciarmos tomando a desigualdade do ponto de vista da "natureza" humana, podemosafirmar que os seres humanos são diferentes entre si. É nesse sentido que Arent chama atenção para "a pluralidade da condição humana pelo fato de sermos todos os mesmos, isto é, humanos, sem que ninguém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, exista ou venha existir" (1991, p. 36).
Sendo assim, a igualdade é construída socialmente, e esta por sua vez difere em cada sociedadepor meio dos valores atribuídos às relações sociais e dos critérios de distribuição dos recursos que estruturam a vida social.
Portanto, do ponto de vista econômico-social, a desigualdade não pode ser pensada enquanto um conceito em si, só tendo sentido se estabelecida às relações históricas e inter-relacionadas entre os papéis sociais e as estratificações que colocam os sujeitos em posiçõesfavoráveis ou desfavoráveis em termos de lugar social.
Na definição desses lugares materiais e simbólicos, a desigualdade interage com diversos elementos correlacionados. Trata-se de processos dependentes, como é o caso da relação entre desigualdade e pobreza. É nesse sentido que Prates ressalta que um "aumento da desigualdade, na maioria das vezes, implica aumento da pobreza. Mas a diminuição dadesigualdade não garante uma melhora nos indicadores de pobreza, podendo ocorrer uma redistribuição de renda entre setores mais ricos" (1990, p. 61).
Isso confere à desigualdade um caráter relativo, na medida em que seu sentido é estabelecido na relação com determinantes econômicos, políticos e sociais, entre outros. No caso brasileiro, esses determinantes são conhecidos e reconhecidos pelo modocomo os grupos sociais têm acesso, não acesso, ou acesso precarizado a bens e recursos. Assim sendo, o Brasil é identificado por organismos internacionais como um dos países de maior desigualdade social. Segundo Urani, "o Brasil não é um país pobre, mas com muitos pobres" (2009, p. 1).
É nessa mesma linha que Telles afirma que a pobreza se transformou em paisagem, um desenho de uma gentedesumanizada e abandonada, sem pai ou mãe, "um efeito indesejado de uma história sem autores e responsabilidades" (1994, p. 6). Para a referida autora, "o problema da igualdade parece se esgotar no acesso aos mínimos de sobrevivência" (1999, p. 9). Portanto, fora do contrato social, os que encarnam a pobreza absoluta vivem sob os imperativos da sobrevivência. Por pobreza absoluta entende-se o não acesso amínimos necessários a sobrevivência física, enquanto na pobreza relativa isso é garantido, porém em patamares insuficientes, inscrevendo os sujeitos, em condições de vulnerabilidade e riscos sociais.
Há uma diversidade de indicadores que apresentam a realidade das famílias em termos de padrões de vida e apropriação de renda. Barros, Henriques e Mendonça em suas análises sobre a desigualdade e...
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